PEREGRINAÇÃO de Fernão Mendes Pinto

PEREGRINAÇÃO de Fernão Mendes Pinto

O livro dispensa apresentações, por isso, roubámos as ilustres palavras de Aquilino Ribeiro:

“Formoso livro de aventuras, como não há segundo na língua portuguesa é a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. O autor, depois de andar vinte anos pela Ásia, soldado, negociante, pedinte, embaixador, cortesão, jesuíta, pirata, «treze vezes cativo, dezassete vendido», pega da pena e escreve. Escreve na sua casinha do Pragal, frente ao Tejo, pobre e desiludido, saudoso dos bons e aventurosos tempos, e, ao largo dos acontecimentos, é provável que a memória, senão a fantasia, falseie o pormenor. Mas, em geral, palpita no que nos conta a mais viva das realidades.

Peregrinação (Adaptação de Aquilino Ribeiro)

Não faltou, porém, quem o açoimasse de impostor, a tal ponto se entrelaçam na narrativa, de insistente e imprevisto modo, o romanesco e o maravilhoso. E as velhas de soalheiro, que são as almas de S. Tomé deste mundo, abanavam a cabeça e riam: Fernão, Mentes? Minto.

Modernas investigações históricas, textos japoneses vindos a lume, as cartas dos religiosos que missionavam no Oriente, livros de viagens, atestam a fidedignidade da Peregrinação. A Ásia era aquilo e um europeu, transplantado para semelhante meio, decerto menos bárbaro em religião e moral, mais atrasado em progresso material do que a Europa, tinha que reagir daquele modo. Fernão Mendes Pinto e mais comparsas enxertam-se perfeitamente na acção político-social dos Portugueses no Índico. E a Peregrinação está dentro do Rebus Emanudis Gestis, com não menos voga e não menos vezes traduzida aquela obra que esta.

Além de tudo, há um acento de sinceridade em Mendes Pinto, um ar tão natural de modéstia, que se lhe não pode negar crédito. E tal livro queda na nossa língua, tão de acordo com o espírito da raça, uma verdadeira epopeia, diríamos uns segundos Lusíadas.

Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto

O que foi o nosso trabalho? Um sulco inscrito o mais fielmente possível na esteira vasta e luminosa da Peregrinação. A parte mais heróica simplificada. Se a preciosa narrativa não perdeu de rodo o perfume, se se não alterou nas harmoniosas perspectivas, se conserva pitoresco e encanto, está realizado o nosso propósito e o pensamento do ilustrado editor, que nos encarregou desta missão, Sr. Sá da Costa” – AQUILINO RIBEIRO

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