Cidade imperial de Fez @ Marrocos

entrada da Medina

Paramos em frente da “Porta Verde” e olhamos à nossa volta. Aqui começa a maior cidade medieval viva do mundo – Fez El-Bali. Este labirinto encantado, recheado pelo tempo e prenho de história começa aqui, mesmo aqui, mas termina onde os olhos já não podem alcançar.

Fez foi o centro. O centro da política, dos negócios, do turismo, da vida… Hoje, perdeu a política para Rabat, os negócios para Casablanca e o turismo para Marraquexe. Contudo, sobrou-lhe a vida, o encanto dos souks e das ruas estreitas, dos pregões e da confusão. Não lhe tiraram os artesanatos tradicionais, os curtumes ancestrais do couro, a tecelagem nas rodas de águas, os cheiros…

Tiraram-lhe as roupas, mas deixaram-lhe a alma. E ela lá continua cercada por muralhas imponentes até, mesmo, nos dias de hoje.

a porta Bab Boujloud, adornada com a cor tradicional do islamismo: verde

Fez é património protegido pela UNESCO, e não é para menos. A sua Medina é a maior do Mundo e foi fundada no Séc. VIII. E dito assim, pode ter pouco significado. Agora, se adicionarmos que vivem aqui mais de 350 mil pessoas, que é a maior zona urbana do mundo sem carros e que são centenas de kms de ruelas estreitas, o caso muda de figura. Agora sim!

Medida, vista do outro lado das muralhas!

Contratamos um guia. Explicámos-lhe que não temos muito tempo, que nos leve aos sítios principais da medina que depois faremos o resto por nós próprios. Combinámos um preço que julgámos aceitável.

Emaranhamo-nos pelas ruas, descendo aos encontrões e enchendo o espírito de cores e cheiros novos.

    

Sucedem-se as mesquitas, que, aqui nas ruelas dos souks, só nos apercebemos pelos seus vistosos minaretes. Fez é a capital religiosa do país e há aqui mais de 300 mesquitas. Infelizmente, nenhuma delas aberta a não-muçulmanos. Em Marrocos, apenas a mesquita de Hassan II, em Casablanca, e a mesquita de Tin Mal, no Alto Atlas.

 Detemo-nos boquiabertos na frente da Mesquita Kairaouiyine, enquanto o nos explicam que esta é uma das mesquitas mais antigas do mundo, fundada em 859. Este complexo, perdido nos meandros da medida, alberga aquela que, para muitos, é a mais antiga universidade do mundo – Kairaouiyine. Se Fez é o centro espiritual de Marrocos, Kairaouiyine é o centro espiritual de Fez, portanto estamos bem cá no centro.

Mesquita Kairaouiyine, umas das mais antigas mesquitas e universidade do mundo

Os não muçulmanos não são autorizados a entrar, logo temos de nos contentar com uma espreitadela através da porta principal, para as suas gigantescas colunas que adornam a sala de oração que, dizem, pode albergar 20 mil fiéis. (para um esquema ilustrado da mesquita, clicar aqui – Marrocos, Guia American Express).

Mesquita Karaouiyine

Cortumes

Passa-se pelos comerciantes de cereais, pelos latoeiros, e por fim chegamos aos curtumes – Chouara. Subimos e resvalamos por umas escadas íngremes e sinuosas. Levam-nos directamente a uma espécie de loja de carteiras de pele. Conforme íamos subindo, o cheiro intensificava-se. À entrada da loja, um senhor simpático oferece ramos de menta para colocarmos junto ao nariz e dessa forma disfarçar o cheiro nauseabundo que já se faz sentir. Avançamos ao longo da loja, coberta, do chão ao tecto, das mais variadas carteiras e outras bugigangas de pele. Chegamos por fim a uma espécie de alpendre que dá para um pátio central onde se tratam os curtumes. A vista é magnífica. É, sem dúvida, o mais pitoresco dos souks de Fez.

Chouara - Bairro dos Curtidores

Secar a pele

pele de cabra a secar

As cores são obtidas através da mistura de pigmentos naturais, obtidos a partir de plantas e minerais. Contudo, a pouco e pouco, os pigmentos naturais começam a ser substituídos pelos químicos. Pergunto ao dono de uma loja quanto ganham por dia os trabalhadores que alí laboram. Foi lacónico na resposta. Refere que são trabalhadores muito bem pagos para os standards marroquinos, que o seu trabalho é reconhecido e que gozam de um determinado estatuto. (mais informações)

as cores dos curtidores

as tinas

o curtimento

Depois deste laborioso trabalho, e das peles secas, são enviadas aos artesãos para as transformarem nos mais diversos utensílios: mochilas, carteiras, malas, babuchas, etc…

Eis o resultado final:

malas das mais diversas

babuchas

Saímos das ruelas da Medida pelo Sul, ou, pelo menos, me parecia. Agora teríamos de a percorrer pelo lado de fora das muralhas, até ao local onde iniciámos a descida.

Era início de tarde quando abandonámos Fez. Foi a primeira grande experiência, numa grande cidade marroquina. Decidimos que, por agora, chega de Medinas e souks, não iremos a Meknes. Seguiremos em direcção à costa, fazemos planos de ir dormir a Rabat. Contudo, temos uma paragem importante pelo caminho: Volubilis.

Informações:

  • Mapa da cidade de Fez – aqui
  • Vai ouvir isto muitas vezes, mas tenha cuidado com os falsos guias na Medina de Fez.
  • Se for de carro, saiba que o trânsito, em Fez, pode ser caótico, principalmente à hora de ponta.

Fotografias da cidade de Fez.

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