Deserto do Sahara @ Marrocos

Os marroquinos parecem ter família em todo o lado, principalmente quando chega a hora de fazer negócio. Faz parte do seu código genético negociar e raramente não conhecem alguém que responde, quase na perfeição, às nossas necessidades, seja família, amigo ou apenas desconhecido. É incrível. Bem, mas estava a dizer que os marroquinos têm família em todo o lado, do deserto à montanha. Neste país gigante, anda sempre gente de um lado para o outro, percorrer milhares de km sem se queixarem das estradas, mas, de igual forma, sem se queixarem das parcerias público-privadas.

Vem isto a propósito porque, quando o nosso guia em Todra soube que nos dirigíamos para o deserto, não descansou enquanto não nos colocou em contacto com um seu primo que tem um hostel em Merzouga e também organiza viagens de dromedário.

Hassan, o nosso anfitrião no Deserto do Sahara

E, numa chamada, ao tal primo – Hassan -, que mais tarde viríamos a conhecer, tínhamos camelos, habitação e comida por um preço bastante aceitável.

Como Hassan tinha de se deslocar a Erfoud, combinámos encontrarmo-nos lá, a cerca de 45 min de viagem de Merzouga e das dunas de Erg Chebbi. Pergunto ao Hassan como vamos até lá e se não será melhor telefonamo-nos antes para confirmar. Nada disso: às 15h ao pé da placa que indica a cidade de Erfoud, nem mais, nem menos. E a essa hora, depois de 3 h de viagem, lá estávamos nós, e também Hassan.

A trupe que nos ia carregar :-)

Este seria o ponto alto da viagem: o deserto do Sahara.

Tínhamos planeado ficar apenas um dia por Merzouga, mas a verdade é que acabamos por ficar 2 dias. Merzouga é a porta do Sahara, uma vila nas encostas das dunas de Erg Chebbi, a cerca de 30 km da fronteira com a Argélia.

Por cautela, tinha perguntado ao Hassan, no primeiro telefonema, como estava o tempo em Merzouga, uma vez que temos visto várias tempestades de areia. Está divinal, lembro que ele me disse.

Mas o tempo mudou muito, e assim que chegámos levantou-se uma tempestade de arei que obrigou a adiar os nossos planos. Decidimos ficar mais um dia.

As dunas de Erg Chebbi, em contraste com o deserto negro.

À noite, depois de um banho reconfortante, Hassan leva-nos a uma casa de Gnaoua, música tradicional marroquina. Os músicos estão há várias gerações em Marrocos, mas os seus antepassados eram do Mali. Tocam uma música e o whisky berbere leva qualquer um ao transe…

Músicos tocando e dançando Gnaoua

Na manhã seguinte, seguindo a proposta de Hassan, fomos cruzar as dunas de 4×4, fazer o antigo percurso do Paris-Dakar e atravessa um pouco do deserto negro.

Adivinhava-se um sol aterrador. O céu estava limpo e as dunas de Erg Chebbi estavam, a esta hora da manhã, amareladas. À medida que o sol sobe até ao zénite, as dunas vão perdendo cor rosada que as caracteriza.

Ao longe, explica-nos Hassan, é a fronteira com a Argélia, que se encontra encerrada. Hassan nunca esteve fora de Marrocos, mas já pairou várias vezes por aquelas bandas.

A velocidade do 4×4 a cruzar o deserto trazia sensações novas, desconhecidas. O vento quente que nos dava na cara obrigava a semi-cerrar os olhos.

Jaima - Tenda característica dos povos nómadas marroquinos.

Circulámos Erg Chebbi. Na parte oeste viam-se várias famílias de nómadas que, rotineiramente, se dedicavam às tarefas do dia. Causa espante ver como vivem, nos dias que correm. O pão é feito num buraco na terra, a água transportada dos poços a km de distância… vida simples, vida dura!

Jaima - Tenda característica dos povos nómadas marroquinos.

Também aqui já chegou a energia solar, contributo de uma ONGD local.

As crianças, acorriam à nossa passagem. Por aqui, outrora, passou um dos mais famosos ralis do mundo – Paris-Dakar.

Crianças que acorrem à nossa passagem

Parámos, literalmente, para dar de beber aos camelos. Faz parte da cultura marroquina, de ajuda ao próximo. Mas, a verdade, é que à nossa volta só víamos camelos, palmeiras, cascalho negro e dunas.

Camelos, palmeiras, areia... enfim, o Deserto do Sahara!

Já antes referimos que os marroquinos aparecem “do nada”. Mas tínhamos parado o 4×4 quando três crianças, trouxa à costas, se plantam no chão com as suas bugigangas para venda.  Sou sincero, custa resistir a tanta genuinidade…

Crianças vendendo bugigangas

Crianças vendendo bugigangas

Dar água aos camelos

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