Roma – Itália (parte 1)

Coliseu romano, também conhecido por Anfiteatro Flavio

São cerca das 9:20 da manhã quando termino de acondicionar a bagagem por cima do banco do comboio. Deixo de fora o guia e um livro. Peças úteis para as 4 h de viagem através de um lento, mas sereno comboio até Roma. Olho ao redor e vejo de tudo um pouco. Uma jovem rapariga que estuda, apressadamente, alguns artigos do codice penale; um turista chinês que já dormita, outros, que parecem nórdicos, de pele vermelha já tostada pelo sol, trocam de lugares e moldam o corpo ao formato dos bancos; pessoas comuns que vão de cidade em cidade, de estação em estação, de vida em vida…

Abro o livro. Deixo Florença. Espera-me “la città eterna”.

Permitam-me que vos apresente, através de um olhar, diferente, porque é só meu, esta cidade magnífica, onde, de acordo com a história antiga, todos os caminhos iam dar.

A viagem entre Florença e Roma foi longa mas reconfortante, com as paisagens do centro de Itália a sucederem-se… através do vidro.

Chego a Roma Termini, a principal estação de comboios de Roma, com um sorriso tranquilo. Gosto deste frenesim das grandes estações, das multidões de gente, dos placards com números, destinos, horários… Se os aeroportos são não-lugares, estéries, insípidos e vazios, as estações de comboio são os espelhos da cidade, consegue-se perceber, pelos seus contornos, a alma da cidade.

O local onde tudo acontecia...

Dou por mim a olhar para a figura de Nero, essa personagem mal-amada da história… e não é de todo descabido este pensamento. Estou no Anfiteatro Flavio, também conhecido por Coliseu devido à colossal estátua de Nero que existia nas imediações.

Preso no Coliseu

Se, como reza a história, os romanos cruxificaram Jesus, a Igreja cruxificou a história de Roma e os historiadores aniquilaram a figura controversa de Nero. Acusado de incendiar a sua Roma amada, Nero foi um visionário megalómano.

Esta – e o termo será colossal – construção albergaria, na altura, cerca de 50 mil pessoas, cujo ambiente se assemelharia a um estádio de futebol, onde na arena se gladiavam pessoas, onde mediam força homens e animais. Ao contrário do que é relatado em muitos filmes que retratam a época, os cristãos não eram mortos na arena do Coliseu, mas sim no Circus Massimo, por onde passaremos mais tarde.

O coliseu é o símbolo da cidade. Se hoje, fruto das vicissitudes do tempo se encontra em ruínas, deixar-nos-á sempre margem para a imaginação… Sentado, bem lá no alto, ainda vejo ao longe o pó levantado pelos corpos que tombam, sinto os gritos de excitação do público com os salpicos de sangue que se soltam da espada do gladiador…

Roma é uma cidade de história, com história, que ficou na História e que alimenta as mais variadas estórias.

Stadium, Monte Palatino

Atravesso o Monte Palatine, passando pelas covas onde a loba terá alimentado Rómulo e Remo e desço até ao fórum. Ainda hoje, o que resta daquilo que foi o centro da vida política da cidade impressiona pela sua grandiosidade. Os arcos, os templos, as avenidas, as termas, etc.

Forum Romano. Ao fundo o Coliseu




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