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Hoi Na – Vietnam

“Hoc na, hoc noi” – the people should learn to eat before learn to speak

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Enquanto saboreio o deslizar refrescante de uma “Biere la Rue, aparentemente a melhor cerveja local, converso com Phu, um motorista que me tenta convencer a requisitar os seus serviços. À pergunta “where are you from?” e à minha óbvia resposta “I’m portuguese”, segue-se um momento de silêncio, um “hoooo” profundo e a rematar: Ronaldô… Ronaldo tem sido o meu país, a minha arma para quebrar o gelo e muitas vezes a única forma de comunicação.

A cerveja abre-me o apetite, convido Phu para almoçar. Recusa cordialmente, está em trabalho!

Sento-me numa das muitas esplanadas que transformam a bucólica e “glamososa” Hoi Na numa autêntica princesa ocidental perdida nos meandros do oriente longínquo. Aqui não há carros, apenas o barulho das poucas motos me atrapalham o repasto. Como sofregamente um “Phô” de vegetais e uns nem rau.

Viet Nam-11

Conhecida no séc. XVI como Faifo, Hoi Na foi um dos principais portos marítimos da Ásia. Os portugueses, como habitualmente, foram os primeiros a largar âncoras por terras vietnamitas e estabeleceram-se em Faifo em 1516. Começam rapidamente a estabelecer contactos comerciais e à missionação do país. O Vietnam é assim, a par das Filipinas, o país asiático com maior influência católica.

Durante a administração francesa, Hoi An, continuou a ser um importante centro administrativo e escapou à destruição durante a “Guerra Americana” (aquela que nós conhecemos por “Guerra do Vietnam”) por acordo de ambas as partes. Hoi Na tem um aspecto colorido do tempo colonial, tem comida e tem roupa por medida por todas as partes.

Viet Nam-10

Xin tính tiên. Peço a conta, depois de terminar um prato de frutos tropicais. Pago 52 mil dongs vietnamitas, o equivalente a 2 euros e meio. Estou satisfeito.

Passo o final de tarde a fotografar as docas. A luz está magnífica, o pôr-do-sol que se desfaz entre o baixo-céu e o horizonte traz cores novas à cidade. Consigo alguns bons registos.

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Add comment 2009/07/27

Amanhece em Angkor Wat

Nascer-do-sol em Angkor Wat - Impressionante!

Nascer-do-sol em Angkor Wat - Impressionante!

São 4:30 da manhã. Ainda é escuro! Abro lentamente as cortinas do quarto e verifico as condições atmosféricas. Está um amanhecer límpido e cristalino, aqui e além salpicado com umas quantas nuvens. Perfeito para assistir ao nascer-do-sol sobre Angkor Wat!

À entrada do local onde estou alojado, eu, o Pedro, meu companheiro de viagem pelo Cambodja e Shah, um viajante inglês, negociamos o preço do tuk-tuk, alertando o motorista para o facto de o sol estar quase a nascer, queremos o seu veículo a toda a velocidade. Não se faz de rogado e em 15 minutos percorremos os quilómetros que nos separam de Angkor Wat.

Dezenas de pessoas tiveram a mesma ideia. Ouvem-se estalidos, alguns flashs e o sol irrompe sobre o templo. Angkor Wat faz jus ao nome, transforma-se numa cidade dourada… Os três pináculos do templo parece que tocam o infinito, as palmeiras que rodeiam o cenário e as nuvens que o adornam fazem-me levitar! Tomo parte neste bailado de tons, deixo-me levar… fico ali sentado. Apenas “sinto”, já não olho!

Sentados, em silêncio, no tuk-tuk, regressamos a Siem Reap. É hora do pequeno-almoço.

Até os monges as usam... A mota é uma instituição!

Até os monges as usam... A mota é uma instituição!

Cinco pulseiras, 1 dólar!

Cinco pulseiras, 1 dólar!

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Add comment 2009/07/18

Image… a message to DARFUR

O Darfur, actualmente, dispensa apresentações. Todavia, insistimos em manter os olhos fechados, em tirar a venda que nos cega.

Imagine if there’s no borders, countrys… Imagine if there’s only peace!

P.F. ajudem o darfur. Assina a petição em www.pordarfur.org

Juntos seremos mais e mais fortes! 

Add comment 2007/09/01

OGM’s em Silves

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Um bom texto de Boaventura Sousa Santos

retirado de: http://www.ces.uc.pt/opiniao/bss/190pt.php

Frequentemente, um pequeno acontecimento revela aspectos da vida colectiva que, apesar de importantes, permanecem submersos na consciência dos cidadãos e na opinião pública. A destruição de um campo de milho transgénico no Algarve é um desses acontecimentos. Através dele revelaram-se entre outras, as questões da legitimidade das lutas sociais, da propriedade privada, da influência dos interesses económicos nas legislações nacionais, do papel do Estado nos conflitos sociais, da construção social da perigosidade de certos grupos sociais e da possível nocividade dos organismos geneticamente modificados (OGMs) para a saúde pública.
As lutas sociais são frequentemente compostas de acções legais e ilegais. Os actos fundacionais das democracias modernas foram, quase sem excepção, ilegais: greves e manifestações proibidas, lutas clandestinas, insurreições militares (como o 25 de Abril), actos que hoje consideramos terroristas (como os do “terrorista” Nelson Mandela). Em certos contextos, os activistas podem escolher entre meios legais e ilegais (como no caso vertente), noutros, não têm outra opção que não a da ilegalidade.
A propriedade privada é um alvo difícil porque as concepções sociais a seu respeito são muito contraditórias e evoluem historicamente. Os primeiros impostos sobre o capital industrial não foram considerados pelos empresários como uma violação do direito de propriedade? Há violações da propriedade privada que não causam qualquer comoção social apesar de serem graves, por exemplo, os salários em atraso. No caso dos transgénicos, o tratamento do direito de propriedade apresenta contradições flagrantes. Enquanto, por um lado, a polinização cruzada faz com que culturas convencionais venham a ser contaminadas pelos OGMs, o que, sendo uma violação do direito de propriedade, não levanta nenhum clamor. Por outro lado, um agricultor canadiano, vítima de polinização cruzada, foi obrigado a pagar uma indemnização à Monsanto, empresa de sementes, por ter violado o direito de propriedade desta (a patente) ao usar sementes que tinham sido contaminadas contra a sua vontade.
Estas contradições decorrem do fortíssimo lobby das grandes empresas de sementes, cinco ou seis a nível mundial, na legislação e nas políticas nacionais. Só essa pressão explica: que Portugal – durante um tempo visto como refúgio da agricultura biológica e orgânica da Europa – seja hoje um dos seis países a aceitar os transgénicos; que a legislação portuguesa seja tão enviesada a favor dos OGMs que quase parece ter sido redigida pelos advogados das empresas; que o ministro da triste figura faça, de um campo de milho, um campo de batalha a exigir imediata ajuda humanitária; que os técnicos do Estado apaguem, como ciência, as press releases da Monsanto e escamoteiem a questão principal: se os OGMs fazem mal às borboletas e outros animais inferiores porque não accionar o princípio da precaução?
Este lobby encontra no caldo de cultura conservador da opinião pública o contexto ideal para estigmatizar a oposição aos seus interesses. E assim os activistas são transformados em “ecofascistas” ou “terroristas light”.

Mais info. www.stopogm.net

Add comment 2007/08/30

Ricos cada vez mais ricos… assim vai Portugal

Sei que a essência deste blog são os caminhos percorridos, mas o maior de todos eles, o maior desafio é, sem dúvida, a incessante luta diária para tornar o mundo um lugar mais justo, mais solidário, mais igual mas acima de tudo mais LIVRE… e que longo é o trilho. Não resisto a publicar um texto de MST…

OS RICOS: artigo de Miguel Sousa Tavares

Acho uma prática normal e salutar a publicação anual da lista dos cem mais ricos do país. Ser rico, sem ter enriquecido por meios ilícitos, não é vergonha alguma. Ser rico, tendo contribuído para a riqueza do
país, é motivo de orgulho. Nos Estados Unidos, ser rico tendo criado obra à vista, é causa de admiração de vizinhos e conterrâneos. Em Portugal, ainda é, sobretudo, causa de inveja e desconfiança. A diferença está nas mentalidades, mas está também na forma como as coisas funcionam e no papel desempenhado pelo Estado.

Para se ser rico e causa de admiração é necessário ter enriquecido numa sociedade minimamente igualitária, onde as oportunidades estão distribuídas de forma equilibrada por todos, à partida – na educação, na saúde, na habitação e condições de vida, no desporto, etc. Não é o caso dos Estados Unidos, onde cada um é deixado por conta da sua sorte ou do seu engenho, mas é o caso das democracias escandinavas e do Norte da Europa, onde a social-democracia garantiu cinquenta anos de
prosperidade, justiça social e desenvolvimento cultural sem paralelo em nenhum outro lugar do mundo e em nenhuma outra época.

O nosso mal-estar perante as grandes fortunas não tem razão ideológica, mas tem razão política e muita. Nós nunca vivemos em social-democracia. Nós nunca tivemos uma sociedade equilibrada, justa
e igualitária nas oportunidades. Tivemos sempre – desde o tempo das Descobertas, passando pelo liberalismo, pela República e pelo Estado Novo – uma sociedade que colocou os pobres por conta da caridade e os ricos por conta do privilégio. Numa época histórica em que um socialismo emergente, com o foco em Moscovo, se enfrentava com o fascismo de inspiração social e cristã, o Estado Novo dotou-se de uma lei chamada do Condicionamento Industrial, que lhe permitiu controlar os grandes empresários, no continente e em África, e de uma organização corporativa do Estado, inspirada na ‘Carta del Lavoro’ mussoliniana, que lhe assegurou a domesticação dos sindicatos e da mão-de-obra assalariada, pois que, como explicou Salazar, “não podemos permitir que o operariado se transforme numa classe privilegiada”.
Cada um fará do salazarismo a leitura histórica que quiser – mesmo aqueles que não o estudaram a sério ou que, tendo-o estudado, o falsificaram à medida das suas convicções políticas. Pessoalmente,
desde há muito que tenho o meu diagnóstico feito, e o tempo e as leituras subsequentes só vieram confirmá-lo: o Estado Novo e o salazarismo foram, porventura, o período mais negro e mais prejudicial
de toda a história de Portugal. Ainda hoje, muito do que penamos, muito do que de negativo existe na mentalidade instalada entre os portugueses deve-se à doutrinação desses cinquenta anos de ditadura
retrógrada e beata. Os ricos continuam a apostar que o Estado é a fonte de todos os negócios verdadeiramente rentáveis, e os pobres continuam a acreditar que o Estado lhes deve toda a protecção e desvelo. Uns e outros foram habituados a pensar que não há lugar para a iniciativa própria, para o risco individual, para um contrato com direitos e obrigações recíprocas entre o cidadão e o Estado.

O desvario comunista dos anos a seguir a 74 serviu apenas para que uma imensa massa de desfavorecidos e ignorantes imaginasse que todos poderiam ser ricos pela simples estatização de toda a economia do país. Tal como a ‘vaca soviética’ de Livtchenko era teoricamente capaz de produzir mais leite do que a ‘vaca capitalista’, também entre nós se procurou levar os incautos a acreditar que a Reforma Agrária iria tornar o país auto-suficiente em bens alimentares, que a indústria e as empresas em autogestão e sem investimento e risco privado seriam capazes de render muito mais e que a banca “ao serviço do povo” financiaria tudo isto… com o dinheiro de ninguém.

O despertar desta bebedeira colectiva, com a necessidade premente de acorrer ao mais elementar – pagar aos funcionários públicos, evitar a fome e as falências sucessivas das empresas, garantir o crédito externo ao Estado Português – levou a restabelecer aos poucos o único sistema económico que se acreditava, e ainda acredita, ser capaz de manter o país a funcionar: o capitalismo clientelar do Estado. E, para que a revolta social fosse evitada, deu-se aos trabalhadores o reverso da medalha: uma lei de despedimentos que garante trabalho até à eternidade a quem o tem e precariedade para sempre a quem o não tem; subsídios de desemprego garantidos, não só para quem não encontra trabalho mas também para quem não quer trabalhar; reforma segura para todos, mesmo para os que não descontaram durante a vida; um sistema de ensino público que custa uma fortuna ao país e que só satisfaz os sindicatos de professores; e um sistema de saúde pública onde se gasta mais “per capita” do que na Holanda e se espera dezoito meses por uma operação urgente. Assim se regressou ao velho Portugal de sempre, com um Estado que assegura o favor aos maus empresários e a protecção aos maus trabalhadores. E que gasta a riqueza produzida e cobrada à parte saudável do país a sustentar os que vivem à sua conta.

O que faz impressão na lista dos cem mais ricos de Portugal é constatar que as suas fortunas acumuladas representam 22% de toda a riqueza do país e que o fosso entre os que mais ganham e os que menos ganham é o maior de toda a Europa comunitária a quinze. E faz impressão pensar que, enquanto os trabalhadores por conta de outrem e a generalidade da classe média e média-baixa viu os seus rendimentos subir entre zero e três por cento no ano passado, os cem mais ricos aumentaram a sua riqueza em 36%. E fizeram-no essencialmente através da bolsa – ou seja, não pelo desempenho das suas empresas, não pela criação de riqueza para o país, mas sim através da simples especulação com o dinheiro. Mais interessante ainda seria podermos dispor da lista dos cem maiores pagadores de impostos do país em nome individual, para compararmos com os cem mais ricos. Ou sabermos quanto pagaram de impostos sobre os lucros as empresas ou fundações onde se abrigam os cem mais, para compararmos com os que, vivendo apenas do seu trabalho, pagam 42% de IRS. Aí, sim, poderíamos perceber a dimensão da injustiça social e fiscal em que vivemos.

Mas, num país que alimenta essa coisa indecorosa que é o “off-shore” da Madeira (um simples território de evasão fiscal promovida pelo Estado), num país onde mais de metade das fundações servem apenas para fugir ao fisco, onde dois terços das empresas nunca declaram lucros, onde se baptiza de ‘empresário’ quem nunca criou um posto de trabalho nem produziu um euro de riqueza facturável, onde os gestores públicos recebem indemnizações escandalosas para saírem de uma empresa e passarem para outra e onde o Estado oferece de graça (e ainda paga os encargos) o seu maior museu para albergar uma colecção de arte privada emprestada, não é de admirar que a generalidade das pessoas não acredite na seriedade dos meios pelos quais alguns se tornaram tão
ricos. É que não se pode ter tudo: boa cama e boa fama.

Miguel Sousa Tavares

Publicado segunda-feira, 20 de Agosto de 2007 
 

1 comment 2007/08/29

Hoje o meu trilho leva-me a…

“HOJE O MEU TRILHO LEVA-ME A…” Vai ser esta a rubrica com que ao longo destas reflexões iremos propor locais de visita, tecer considerações, mas acima de tudo partilhar a beleza que inunda este nosso cantinho à beira mar plantado.

Add comment 2007/08/11

O começo!

Nada melhor que começar este blog com um belíssimo poema de Pedro Barroso:

Esperança

Se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos
o mais profundo fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas
que há razão
de verdades consumadas me consomem
de falácias bem montadas me alimentam
mas meu filho mora o reino do futuro
que é mais duro
e não vai ser com palavras
que o contentam
Se a morte lenta te rebenta sob a pele
a cada dia
e se no teu braço apenas sentes a força
de um cansaço organizado
mas manténs na tua fronte a dúvida
e o gosto pelo longe e a maresia
e se sentes no teu peito de criança
a alma de um sonho amordaçado
se quiseres partir amanhã
eu paro o mundo
com facilidade assim
com esta mão
e então descobriremos o mais profundo
fundo que há no mundo
que é no irmos fundo às coisas que há razão

(iste mundus furibundus falsa prestat gaudia
quia fluunt et decurrunt ceu campi lilia
Laus mundana vita vana vera tillit premia
nam impellit et submergit animas in tartara

Add comment 2007/08/11


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