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Hoje o meu trilho leva-me a… PIODÃO
Xisto… muitas casas de xisto apinhadas monte acima! Cada uma conta sua história, são confidentes de amores e desamores alegrias e tristezas. Hoje o meu trilho leva-me a Piódão.
A estrada que serpenteia a serra desagua aqui, um “mar” de pequenas erupções cor de terra que da própria terra despontam. A estrada é sinuosa, ravinas íngremes como a própria serra e vales a perder de vista… não nego que o medo por momentos tomou lugar na minha mente, ainda que por fugazes instantes. E em tom de consolo, não era para menos.
Lutas intensas com sabor a vitória e um troféu repleto de estorias, tradições e pessoas, dessas que já não existem, simples como a serra onde vivem e o chão que pisam, cor de terra! A serra tem novos moradores, não mais os seus eternos habitantes – cabras e lobos – são gigantes brancos empunhando pás assentaram aqui arrais. São os sinais visíveis do mundo moderno, da luta por um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado.
O homem na sua incessante busca pelo conforto desprezou continuamente a natureza e negligencio o facto de fazer parte de um vasto ecossistema, uma cadeia, vários elos onde cada ser vivo cumpre a sua função. Mas o homem, arroga-se no direito de querer fazer mais do que o que lhe está destinado, ou será menos?
Piódão é daqueles sítios que não merecem ser esquecidos, daqueles lugares onde se está bem e onde se quer voltar quando a vida nos obriga a partir. Ao pisar aquelas pedras sinto-me apertado nas vielas, mas livre… livre daquela forma que só encontramos nos livros com aquelas palavras esculpidas minuciosamente pela pena do poeta.
Se me apaixono pelas pontes sinto que pertenço às serras, a algumas de forma especial. Adorava sulcar as suas entranhas, calcorrear os caminhos que outrora outros habitantes, mais dignos do que eu, chamaram seus.
2 comments 2008/01/17
Hoje o meu trilho leva-me a… UCANHA!
Tenho que me confessar. Estou a ficar apaixonado por estes monstros de pedra. Gosto de lhes sentir o toque, rugoso, frio… diz o povo, não sei se com razão, que água mole em pedra dura tanto dá até que fura… O povo é sábio! Perscruto o coração destas pedras, tento arrancar-lhes à força o sentido, um sentimento, já me contentava com um “acenar” de cabeça.
Pode haver imagem mais maravilhosa que a de um monstro de pedra, resistente aos tempos e até à água, que liga duas margens? Ou dois países? Ou um, talvez dois sentimentos? Se os homens têm o amor, capaz das mais extraordinárias façanhas, as margens têm as pontes. Que seria delas sem este “amor” que as unisse?
Pontes há-as de todas as espécies, até já as vi de esparguete (a sério…), mas esta onde estou transforma-me, faz-me sentir pequeno perante esta grandeza, e a grandeza daqueles que construíram o “amor” entre estas margens. Margens que até então não se tocavam, não sentiam o calor oposto, não partilhavam alegrias e tristezas daqueles que ao longo dos séculos por aqui fizeram caminho.
A Torre de Ucanha localiza-se na freguesia de Ucanha no concelho de Tarouca.
Lançada sobre o rio Varosa, constitui o elemento de união entre dois núcleos urbanos pertencentes a diferentes freguesias, Ucanha e Gouviães. Sobre a ponte, a torre ergue-se isolada na margem direita, marcando a entrada no Couto do Mosteiro de Salzedas, de que a Vila de Ucanha era cabeça. A ponte terá começado a ser construída pelos Romanos no seguimento de uma estrada que por ali passava, mas a construção da torre fortificada remonta ao Séc. XII e tem uma arquitectura militar gótica.
A Ponte e a Torre da Ucanha são exemplos únicos deste tipo de fortificação conservando ainda a totalidade da torre.
A existência deste complexo medieval já vem documentada no século XII. D. Afonso Henriques doou, em 1163, à viúva de Egas Moniz, Teresa Afonso, o couto de Algeriz, acrescentando-lhe o território de Ucanha. Os monges foram quem mais beneficiou da velha ponte, convertida em apreciável fonte de rendimento pelos direitos de portagem que seriam cobrados.
Em 1324, D. Dinis pretendeu favorecer as gentes e vila de Castro Rei, concedendo-lhes o privilégio da passagem de Moimenta para Lamego, mas face à pressão dos frades de Salzedas, o rei confirmou tal privilégio a Ucanha.A torre tem vinte metros de altura e dez de cada lado da base, onde se encontra a seguinte inscrição “Esta obra mandou fazer D. Fernando, abade de Salzedas, em 1465“.
1 comment 2007/11/29
Hoje o meu trilho leva-me a … PINHEL

Hoje estou na “cidade-falcão”!
Diz-se por aqui que braveza e coragem abundam entre os inquebrantáveis homens de Pinhel. Claro que não será só pelo maravilhoso néctar dos Deus que aqui tem um trago especial. Será antes pelo sentido de liberdade e característica rebeldia dos locais, impenetráveis a qualquer tentativa de sujeição.
Quem se lembraria de honrar uma cidade com tal epíteto? A história corre de boca em boca e é com orgulho que é contada vezes sem conta.
Depois da derrota infligida na Batalha de Aljubarrota, no séc. XIV, os exércitos de Castela, bateram em debandada. Ao por aqui passarem, a caminho de Castela, um grupo de pinhelenses, fazendo jus à sua fama, atiraram-se aos espanhóis e arrebataram-lhes o talismã: o falcão de combate do Rei castelhano.
D.João, o Mestre de Avis, agraciou a cidade com o honroso epíteto: Pinhel Falcão, Guarda-Mor de Portugal. 
Desde esse momento o falcão passou a integrar as armas de Pinhel, posando vigilante na copa frondosa do pinheiro que identificava a praça militar.
Pinhel tem singrado pelos seus monumentos, pelos seus inúmeros solares, encanta pelos seus queijos leitosos mas acima de tudo encantamo-nos quando mergulhamos no seu elixir eterno, que arrebata românticos, poetas e guerreiros: o Vinho.

Entretenho-me nas tortuosas vielas, sinto o cheiro de outrora… levo os meus pés para diante e paro defronte de uma paisagem não sei se bucólica, talvez, quem sabe, efeitos um romantismo serrano. A paisagem pintada com silhuetas de copa redonda e vinhedos a perder de vista, são as oliveiras as rainhas deste vale que se avista, deste vale quase encantado.
Nas margens da Ribeira das Cabras ergue-se airoso o Castelo que ornamenta a “cidade-falcão”, duas torres defendendo a cidade, de um granito duro ao olhar, rugoso no toque mas que se nos espeta na alma. Aprecio o mata-cães, a gárgula que se ajeita a “mandar tudo” prós espanhóis e a janela com seus arranjos manuelinos.
Vou descendo, contornando a muralha… são solares, muitos solares à minha volta. É difícil eleger o mais bonito, o mais sumptuoso… Acabo por entrar no museu municipal, no edifício dos antigos paços do concelho.

Nunca tinha ouvido falar em ex-votos (se a banda não contar, claro). Quadros simples, por vezes até rudes, mas de uma beleza singular. Transportam consigo as promessas de cura. Sã p verdadeiro testemunho de um constante temos de Deus, da sua ira mas também dos seus poderes. Contam-me que era comum em jeito de promessa, o autor da mesma pedir a um pintor afamado que pusesse na tela, dedicada à Nossa Senhora das Fontes, toda a dedicação e especial devoção a esta Senhora, para que a mesma intercedesse junto de Deus e que Este atendesse às preces invocadas.

Termino com um leve passeio pela Trincheira, um local de refúgio com uma vista total e fantástica sobre esta cidade que dizem ser “cidade-falcão” e saboreio o tão afamado D. João I.











3 comments 2007/10/24
Abrigos (casinhas) dos Pastores na aldeia de Feital
Ao mesmo tempo que nos amedronta, também nos faz sonhar, a vida de pastor. A arte da pastorícia, da transumância confunde-se com a “arte” da própria terra. Calcorreando as serras e vales, ao frio, ao vento e à chuva, lutando contra lobos e lobisomens, contra perigos inimagináveis com sua flauta e seu fiel amigo. Ele conhece-as pelo nome, pelo olhar. Sabe se estão bem ou se algo as atormenta. Elas, as ovelhas, são a sua vida e ele o seu pastor!
Sempre me fascinou a vida de pastor, o sentido de liberdade que corre no sangue daqueles se apoiam no cajado. O constante contacto com a natureza torna-os mais sensíveis às coisas simples da vida, tornando-os seres especiais capazes de encontrar a beleza até na mais insignificante pedra que nos estorva no caminho.
A nossa cultura é riquíssima nas manifestações das artes da pastorícia. Desde o Gerês à Estrela, até às planícies alentejanas, afloram a cada passo imagens e saberes dessa arte antiga.
Desta vez foram os abrigos ou casinhas dos pastores que me enriqueceu a alma. São dados alguns grandes passos no sentido de preservar este riquíssimo património etnográfico, arquitectónico e cultural.
Pedras sobre pedra se constroem abrigos, suficientemente fortes para resistirem até aos nossos dias. Sem argamassas, sem vigas e escoras, sem estudos nem projectos.
Estes abrigos dos pastores espalham-se por toda a Serra do Feital, das Brocas e Vilares, estando documentados mais de uma centena. Tinham e têm com objectivo principal abrigar os pastores das intempéries.
Salvo uma ou outra excepção, por razões morfológicas do terreno, as casinhas estão viradas a nascente. Diz-se que a técnica usada na construção é de influência celta e a orientação dos abrigos a nascente transmitir-nos-á uma imagem de misticismo, o alinhamento com a fonte de vida, a energia vital do planeta, o Sol. Todavia outras razões se poderão adiantar para tentar explicar a orientação a nascente, nomeadamente a tentativa de não expor as entradas dos abrigos às correntes e ventos vindos do norte com um sopro fino e gélido, além de quase todos eles estarem situados na encosta este da serra.
Cada casinha comporta desde uma a mais de duas dezenas de pessoas.
Apesar de não serem exclusivos da zona do Feital, já que podemos encontrar exemplares destas construções magníficas espalhados pelo norte de Portugal e Galiza, é aqui que um maior número se encontra concentrado. E até aos tempos hodiernos mais não chegaram porque, sabemos, que a consciência cultural que felizmente se começa a notar nos portugueses é recente e muitas das casas assim como muros meeiros implantados nas serras foram destruídos que para aproveitar o seu espaço mas acima de tudo para aproveitar a sua pedra.
Ao longe a Serra da Marofa
Animação com o grupo musical Chuchurrumel
Add comment 2007/10/05
Hoje o meu trilho leva-me a… Castelo Rodrigo!
Na rota das aldeias históricas sulcando a cordilheira da Serra da Estrela o meu trilho hoje leva-me a Castelo Rodrigo, uma aldeia feita de história, que fez a história e cuja “estória” vos vou contar:
Feita de traições, destruição e glória Castelo Rodrigo encerra um percurso acidentado, com gentes notáveis e paisagens a perder de vista.
Castelo Rodrigo visto da Serra da Marofa
A Serra da Marofa ergue-se imponente com o seu Cristo de braços abertos, ao longe avistam-se as terras de “nuestros hermanos” e o Douro imponente que rasga os montes e espalha o seu charme em direcção à foz.
Por aqui passaram desde os Romanos ao povo Vetão e até Mouros deixaram a sua marca.
À semelhança do que habitualmente se passava com as povoações da zona raiana, o crescimento de Castelo Rodrigo foi altamente influenciado quer por questões políticas, quer de repovoação e reconquista. Fruto desta história atribulada foi alvo de amores perdidos e de vinganças desmedidas. Como já referi, nem sempre os alcaides de Castelo Rodrigo primaram pela fidelidade à coroa portuguesa. Exemplo disso é Cristóvão Moura, que chegou a ser vice-rei de Portugal e claro, por indicação de Filipe II de Espanha, como prémio pelo apoio daquele à coroação deste. Cristóvão Moura, fazendo jus a sua posição política manda erguer um palácio à sua altura. Esta traição à pátria deixou o povo desgostoso e sedento de vingança… 50 anos depois “a vingança serviu-se bem fria”: no ano quente da restauração da independência (1640 d.C.) e a libertação do país da chancela dos “Filipes”, os populares incendiaram o palácio. O fogo consumiu-o totalmente.
Conta-se ainda que por ter tomado partido por Castela na crise de 1383-1385, D. João I castigou Castelo Rodrigo, mandando que o seu brasão ficasse com as armas reais invertidas, e a vila dependente de Pinhel. O alcaide, que terá prestado juramento à coroa espanhola, chegou mesmo a recusar entrada a D. João I, mestre de Avis, quando este por lá passou a caminho de chaves.
D. Dinis não escondia o seu amor pela zona raiana e também aqui, em Castelo Rodrigo, mandou reconstruir o castelo numa tentativa de repovoação.
A ajudar o desmoronamento do castelo, em 1810, as tropas britânicas iniciaram aqui a construção de um hospital militar, o que levou a danos consideráveis nas muralhas.
Perdida a sua função militar, diante do declínio económico que se instaurou, a vila de Castelo Rodrigo viu a sede do concelho passar para a vizinha Figueira de Castelo Rodrigo, por Carta Régia de D. Maria II, em 25 de Junho de 1836.No século XX, foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 4 de Julho de 1922. Apesar de ter sido restaurado na década de ‘40, apenas recentemente foi objecto de um programa global de intervenção, principalmente por causa da sua inclusão na rota das aldeias históricas.
Passeie-se pelas suas ruas medievais calcadas por anos de História, escale as muralhas que outrora nos defenderam dos perigos vindos do lado de lá da fronteira. Atente nos torreões, a sua imponente altivez lançando-se por terra “abaixo” desafiando até o mais valente dos exércitos.
Castelo Rodrigo tinha ficado para trás…
Sento-me, peço um café em Figueira de Castelo Rodrigo e leio o primeiro jornal transfronteiriço escrito em português e castelhano, “Raia Rural”.
Mais informação:
Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
Instituto Português de Arqueologia
3 comments 2007/09/23
Hoje o meu trilho leva-me à… Serra da Marofa
Aqui a vista é fantástica… à direita a albufeira de Santa Maria de Aguiar, do outro lado a vila de Figueira de Castelo Rodrigo e no centro da cena a aldeia de Castelo Rodrigo com o Rio Douro ao fundo a servir de companhia.
A subida até aqui foi atribulada, subir por estradões, galgar pedras, descobrir caminhos esquecidos pelos anos…! Para os menos aventureiros, uma estrada asfaltada leva-nos até ao ponto mais alto da Serra da Marofa.
A cume da Serra da Marofa está completamente povoado de retransmissores – dezenas – por um ponto de vigia e umas capelas (como não poderia deixar de ser). Mas o ex libris é sem dúvida o protector deste vale de Riba – Côa, o Cristo – Rei que o protege braços abertos. O Cristo – Rei, monumento em pedra com cerca de 3 metros foi construído na década de 60, e é o apogeu de um percurso religioso que segue Marofa acima. Uma espécie de Via-Sacra sobe o monte, por caminhos estreitos e escuros, encimada por um Cristo petrificado de braços abertos.

Enquanto aqui repouso pergunto-me: “que levará o homem a vencer as altitudes, carregar a dificuldade às costas, apenas para erguer uma escultura de braços abertos ao céu?” Não se trata de qualquer instinto natural, de sobrevivência, de propagação da espécie, ou será? O homem crava a terra, desbrava montanhas, atinge os céus. Mas quando se dá conta da sua pequenez sente necessidade de se refugiar…
Que a natureza esteja convosco!
Add comment 2007/09/23
Mapas e trilhos do Parque Nacional da Peneda-Gerês
- Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês
- Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês (Área Rural vs Área Urbana)
- Trilho Castro Laboreiro
- Montalegre
Download mapa turístico (pfd)
- Trilhos Pedestre “Na senda de Miguel Torga” – Terras do Bouro
- Trilhos Pedestres – Porta de Lamas do Mouro (Melgaço)
Bons trilhos! Que a Natureza esteja convosco!
12 comments 2007/09/17
Hoje o meu trilho leva-me a… MARIALVA
MARIALVA: na rota das aldeias históricas:
Quem calcorreia as terras beirãs, quem quer conhecer as suas gentes, os seus costumes e locais não pode deixar de passar por Marialva.Marialva é uma Vila do concelho de Meda. Marialava ergue-se sorrateiramente numa elevação no vale do Côa a cerca de 20 Km de Trancoso e 60 Km da Guarda.
Fazendo parte da rota das Aldeias Históricas, foi apenas no final do século XX que Marialva despertou o interesse público, tendo sido classificado como Monumento Nacional através do Decreto de 12 de Setembro de 1978. A formalização de um protocolo entre o IPPC e a Câmara Municipal de Meda (1986), possibilitou a realização de obras de recuperação e beneficiação no conjunto monumental.IPPAR: http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=69859
Não se pode afirmar com firmeza, mas as origens de Marialva parecem remontar à altura dos Ávaros, povo nómada da Eurásia que migrou para a Europa Centra no séc. VI d.C.Todavia, a relevância da Vila nasce essencialmente com D. Fernando Magno, que a reconquista aos Mouros em 1063, ganhando um peso estratégico na defesa do território luso que começava a ganhar forma, com o alvor da nacionalidade.
Conforme ressalta da leitura da informação online em www.marialva.pt: «Merece a atenção do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, repovoando-a e atribuindo-lhe carta de foral, em 1179; – “mandou pobradores para aí, com a concessão de muitos privilégios, – entre estes, o de os moradores da vila não terem senhor que não quisessem”.
O maior privilégio concedido a Marialva era o de só terem por único senhor o Rei. Na verdade, era só concedendo imensos privilégios que se conseguia atrair gente para estes territórios. Aliás, da leitura deste documento (o foral), ressaltam ideias sobre a necessidade de criar condições ao aumento da população:
“O que raptasse uma rapariga fora da vila e ali se acoitasse pagaria apenas 300 soldos…”
“Quem viesse viver ali com dívidas, seis meses depois elas tinham caducado”».No dia 4 de Novembro de 1266, o rei D. Dinis criou a feira mensal em Marialva que se realizaria todos os dias 15 de cada mês e estava isenta de impostos (feira franca).
Marialva sofre também as repercussões da tentativa de regissídio contra D. José I, em 1758, é que a história de Marialva cruza-se também com as do próprio marques de Távora, um dos principais implicados no atentado contra o rei e alcaide de Marialva à época. Estes factos fizeram com que muitos abandonassem a vila para fora dos muros fortificados, criando-se o que é hoje a parte nova de Marialva, no sopé do monte.
VISITA
A imponência de marialva assalta o caminhante mesmo antes deste a avistar. A grandeza das suas muralhas e torres, sorrateiramente, penetrando o olhar chegam ao coração até do mais desatento e indiferente.Subindo as ruas que ladeiam a massificação rochosa, os tempos vêm e vão num frenesim indescritível. Tão bem estamos em pleno Sec. XXI, como derrepente sinais desses tempos longínquos nos assaltam a imaginação, ganhando tal força que a realidade e a imaginação facilmente se confundem.
São cavalos transportando o cavaleiro ao serviço d’El Rei, são vendedores vindos dos mais remotos cantos das terras beirãs, são bruxas e encantadores, adivinhos dum destino qualquer, são, enfim, perpetuadores de uma memória lusitana desse povo Civitas Aravorum.
Que pena esses cavalos e habitantes inóspitos só já existirem na memória, pois a realidade é bem diferente.Em vez de cavalos temos alguns carros que se amontoam à entrada do castelo, as bancas dos vendedores deram lugar a um simples posto de turismo que por ventura se encontrava fechado e de bruxas e encantadores, nem sinal, apenas uns quantos turistas munidos de guias e mapas apreciam as ruínas daquela que foi uma das mais imponentes e importantes vilas do vale do Côa…
Marialva tem encantos que farão o viajante voltar porque os caminhos que nos levam um dia trazer-nos-ão no outro.
Saramago, referiu-se desta forma a Marialva: “…é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso que as liga à memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos” In Viagem a Portugal.
COMO CHEGAR:Vindo da Guarda ou Viseu pela A25, sair em Celorico da Beira. Tomar o IP2 (N. 102) até Marialva (cerca de 40 Km) ver mapa. Marialva dista a cerca de 400 km de Lisboa e 180 do Porto. ![]()
Para mais informações:www.marialva.pt/
Add comment 2007/08/15










































