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Hoje o meu trilho leva-me a… Póvoa de Lanhoso
Era uma manhã típica de Março, daquelas que anunciam a primavera e que de tão iguais a tantas outras a história haveria de esquecer não fossem os acontecimentos que acabaram por dar origem a uma das mais importantes e míticas revoluções da História Nacional – a Revolução da Maria da Fonte.
Os meus trilhos hoje levam-me a Póvoa de Lanhoso. As terras do Lanhoso são conhecidas pelo seu vinho verde, pelas suas encostas íngremes mas verdejantes perdidas em pleno, pela sua minuciosa filigrana, mas acima de tudo por ser a terra da Maria da Forte…
Apesar da convenção de Évora-Monte de 26 de Maio de 1934 ter terminado oficialmente com a Guerra Civil que assolou Portugal e que opunha Liberais aos miguelistas, vivíamos uma época conturbada e os portugueses divididos. O governo de Costa Cabral, um dos mais importantes membros do movimento constitucional, teimava em levar a cabo reformas e obras de vulto no sentido de modernizar o estado. Todavia, fazendo jus à verdadeira natureza do sentido lusitano, as reformas foram muito contestadas principalmente pelos interesses instalados e pelo povo muitas vezes incitado pela igreja.
O auge desta contestação ao governo de Costa Cabra e aos liberais foi a promulgação em 28 de Setembro de 1844 do Decreto que proibia o enterramento dos defuntos nas igrejas, tendo sido invocadas razões de saúde pública. O povo retrógrado e avesso à mudança influenciado por um clero ultra-conservador e anti-liberal ignorou o decreto e desafiou o governo.
Na primavera de 1946, Portugal via surgir uma revolução que haveria de pôr na história uma mulher de nome Maria da Fonte, haveria de eternizar o jeito “robinhodesco” do Zé dos Telhados e “pôr as terras de Lanhoso no mapa”. Esta sublevação popular com início no norte propagou-se depois ao resto do país e levaria à substituição do governo de Costa Cabral.
A revolução foi espoletada pelo enterramento de Custódia Teresa uma idosa de Fonte Arcada em Lanhoso. Ainda que proibido por decreto, a população (sobretudo mulheres) desta aldeia decidiu enterrar a idosa no mosteiro da aldeia, ao total arrepio das normas legais, tendo o delegado de saúde sido espancado pelas gentes da aldeia. Perante tais factos as autoridades decidiram prender os cabecilhas da revolta, 4 mulheres. Todavia, quando a 27 de Março as detidas iam ser levadas ao juiz, a população reuniu-se, marchou até à vila e arrombaram a machado as portas da cadeia. À frete da marcha seguiam as mulheres e entre elas uma que distintamente vestia um capuz vermelho. Quando as autoridades tentaram identificar os revoltosos e porque eles se recusavam a identificar-se a mulher de capuz vermelho passou a figurar apenas com Maria da Fonte Arcada, ou Maria da Fonte.
A entrada da vila presenteia-nos com uma bela rotunda adornada com contas gigantes de Viana e a recordar aos visitantes que está prestes a entrar numa das mais importantes rotas da filigrana.
Sobranceiro à vila ergue-se o monte do pilar encimado por um castelo de pedra dura que os anos ainda não tiveram força para quebrar.
Aprovar as antiquíssimas raízes de Póvoa os arqueólogos trouxeram à vida um castro da idade do ferro (I milénio A.C.) descoberto já no séc. XX aquando da abertura da estrada que liga ao Castelo. As casas de pedra granítica crua e despida em formato circular e telhados de colmo são testemunhas de um tempo ido.
Entretenha-se, desfrute, perca-se… pois só assim será capaz de se encontrar num dos mais belos lugares de Portugal.
Add comment 2008/12/05
Hoje o meu trilho leva-me a… PIODÃO
Xisto… muitas casas de xisto apinhadas monte acima! Cada uma conta sua história, são confidentes de amores e desamores alegrias e tristezas. Hoje o meu trilho leva-me a Piódão.
A estrada que serpenteia a serra desagua aqui, um “mar” de pequenas erupções cor de terra que da própria terra despontam. A estrada é sinuosa, ravinas íngremes como a própria serra e vales a perder de vista… não nego que o medo por momentos tomou lugar na minha mente, ainda que por fugazes instantes. E em tom de consolo, não era para menos.
Lutas intensas com sabor a vitória e um troféu repleto de estorias, tradições e pessoas, dessas que já não existem, simples como a serra onde vivem e o chão que pisam, cor de terra! A serra tem novos moradores, não mais os seus eternos habitantes – cabras e lobos – são gigantes brancos empunhando pás assentaram aqui arrais. São os sinais visíveis do mundo moderno, da luta por um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado.
O homem na sua incessante busca pelo conforto desprezou continuamente a natureza e negligencio o facto de fazer parte de um vasto ecossistema, uma cadeia, vários elos onde cada ser vivo cumpre a sua função. Mas o homem, arroga-se no direito de querer fazer mais do que o que lhe está destinado, ou será menos?
Piódão é daqueles sítios que não merecem ser esquecidos, daqueles lugares onde se está bem e onde se quer voltar quando a vida nos obriga a partir. Ao pisar aquelas pedras sinto-me apertado nas vielas, mas livre… livre daquela forma que só encontramos nos livros com aquelas palavras esculpidas minuciosamente pela pena do poeta.
Se me apaixono pelas pontes sinto que pertenço às serras, a algumas de forma especial. Adorava sulcar as suas entranhas, calcorrear os caminhos que outrora outros habitantes, mais dignos do que eu, chamaram seus.
2 comments 2008/01/17
Hoje o meu trilho leva-me a… UCANHA!
Tenho que me confessar. Estou a ficar apaixonado por estes monstros de pedra. Gosto de lhes sentir o toque, rugoso, frio… diz o povo, não sei se com razão, que água mole em pedra dura tanto dá até que fura… O povo é sábio! Perscruto o coração destas pedras, tento arrancar-lhes à força o sentido, um sentimento, já me contentava com um “acenar” de cabeça.
Pode haver imagem mais maravilhosa que a de um monstro de pedra, resistente aos tempos e até à água, que liga duas margens? Ou dois países? Ou um, talvez dois sentimentos? Se os homens têm o amor, capaz das mais extraordinárias façanhas, as margens têm as pontes. Que seria delas sem este “amor” que as unisse?
Pontes há-as de todas as espécies, até já as vi de esparguete (a sério…), mas esta onde estou transforma-me, faz-me sentir pequeno perante esta grandeza, e a grandeza daqueles que construíram o “amor” entre estas margens. Margens que até então não se tocavam, não sentiam o calor oposto, não partilhavam alegrias e tristezas daqueles que ao longo dos séculos por aqui fizeram caminho.
A Torre de Ucanha localiza-se na freguesia de Ucanha no concelho de Tarouca.
Lançada sobre o rio Varosa, constitui o elemento de união entre dois núcleos urbanos pertencentes a diferentes freguesias, Ucanha e Gouviães. Sobre a ponte, a torre ergue-se isolada na margem direita, marcando a entrada no Couto do Mosteiro de Salzedas, de que a Vila de Ucanha era cabeça. A ponte terá começado a ser construída pelos Romanos no seguimento de uma estrada que por ali passava, mas a construção da torre fortificada remonta ao Séc. XII e tem uma arquitectura militar gótica.
A Ponte e a Torre da Ucanha são exemplos únicos deste tipo de fortificação conservando ainda a totalidade da torre.
A existência deste complexo medieval já vem documentada no século XII. D. Afonso Henriques doou, em 1163, à viúva de Egas Moniz, Teresa Afonso, o couto de Algeriz, acrescentando-lhe o território de Ucanha. Os monges foram quem mais beneficiou da velha ponte, convertida em apreciável fonte de rendimento pelos direitos de portagem que seriam cobrados.
Em 1324, D. Dinis pretendeu favorecer as gentes e vila de Castro Rei, concedendo-lhes o privilégio da passagem de Moimenta para Lamego, mas face à pressão dos frades de Salzedas, o rei confirmou tal privilégio a Ucanha.A torre tem vinte metros de altura e dez de cada lado da base, onde se encontra a seguinte inscrição “Esta obra mandou fazer D. Fernando, abade de Salzedas, em 1465“.
1 comment 2007/11/29
Hoje o meu trilho leva-me a … PINHEL

Hoje estou na “cidade-falcão”!
Diz-se por aqui que braveza e coragem abundam entre os inquebrantáveis homens de Pinhel. Claro que não será só pelo maravilhoso néctar dos Deus que aqui tem um trago especial. Será antes pelo sentido de liberdade e característica rebeldia dos locais, impenetráveis a qualquer tentativa de sujeição.
Quem se lembraria de honrar uma cidade com tal epíteto? A história corre de boca em boca e é com orgulho que é contada vezes sem conta.
Depois da derrota infligida na Batalha de Aljubarrota, no séc. XIV, os exércitos de Castela, bateram em debandada. Ao por aqui passarem, a caminho de Castela, um grupo de pinhelenses, fazendo jus à sua fama, atiraram-se aos espanhóis e arrebataram-lhes o talismã: o falcão de combate do Rei castelhano.
D.João, o Mestre de Avis, agraciou a cidade com o honroso epíteto: Pinhel Falcão, Guarda-Mor de Portugal. 
Desde esse momento o falcão passou a integrar as armas de Pinhel, posando vigilante na copa frondosa do pinheiro que identificava a praça militar.
Pinhel tem singrado pelos seus monumentos, pelos seus inúmeros solares, encanta pelos seus queijos leitosos mas acima de tudo encantamo-nos quando mergulhamos no seu elixir eterno, que arrebata românticos, poetas e guerreiros: o Vinho.

Entretenho-me nas tortuosas vielas, sinto o cheiro de outrora… levo os meus pés para diante e paro defronte de uma paisagem não sei se bucólica, talvez, quem sabe, efeitos um romantismo serrano. A paisagem pintada com silhuetas de copa redonda e vinhedos a perder de vista, são as oliveiras as rainhas deste vale que se avista, deste vale quase encantado.
Nas margens da Ribeira das Cabras ergue-se airoso o Castelo que ornamenta a “cidade-falcão”, duas torres defendendo a cidade, de um granito duro ao olhar, rugoso no toque mas que se nos espeta na alma. Aprecio o mata-cães, a gárgula que se ajeita a “mandar tudo” prós espanhóis e a janela com seus arranjos manuelinos.
Vou descendo, contornando a muralha… são solares, muitos solares à minha volta. É difícil eleger o mais bonito, o mais sumptuoso… Acabo por entrar no museu municipal, no edifício dos antigos paços do concelho.

Nunca tinha ouvido falar em ex-votos (se a banda não contar, claro). Quadros simples, por vezes até rudes, mas de uma beleza singular. Transportam consigo as promessas de cura. Sã p verdadeiro testemunho de um constante temos de Deus, da sua ira mas também dos seus poderes. Contam-me que era comum em jeito de promessa, o autor da mesma pedir a um pintor afamado que pusesse na tela, dedicada à Nossa Senhora das Fontes, toda a dedicação e especial devoção a esta Senhora, para que a mesma intercedesse junto de Deus e que Este atendesse às preces invocadas.

Termino com um leve passeio pela Trincheira, um local de refúgio com uma vista total e fantástica sobre esta cidade que dizem ser “cidade-falcão” e saboreio o tão afamado D. João I.











3 comments 2007/10/24
Abrigos (casinhas) dos Pastores na aldeia de Feital
Ao mesmo tempo que nos amedronta, também nos faz sonhar, a vida de pastor. A arte da pastorícia, da transumância confunde-se com a “arte” da própria terra. Calcorreando as serras e vales, ao frio, ao vento e à chuva, lutando contra lobos e lobisomens, contra perigos inimagináveis com sua flauta e seu fiel amigo. Ele conhece-as pelo nome, pelo olhar. Sabe se estão bem ou se algo as atormenta. Elas, as ovelhas, são a sua vida e ele o seu pastor!
Sempre me fascinou a vida de pastor, o sentido de liberdade que corre no sangue daqueles se apoiam no cajado. O constante contacto com a natureza torna-os mais sensíveis às coisas simples da vida, tornando-os seres especiais capazes de encontrar a beleza até na mais insignificante pedra que nos estorva no caminho.
A nossa cultura é riquíssima nas manifestações das artes da pastorícia. Desde o Gerês à Estrela, até às planícies alentejanas, afloram a cada passo imagens e saberes dessa arte antiga.
Desta vez foram os abrigos ou casinhas dos pastores que me enriqueceu a alma. São dados alguns grandes passos no sentido de preservar este riquíssimo património etnográfico, arquitectónico e cultural.
Pedras sobre pedra se constroem abrigos, suficientemente fortes para resistirem até aos nossos dias. Sem argamassas, sem vigas e escoras, sem estudos nem projectos.
Estes abrigos dos pastores espalham-se por toda a Serra do Feital, das Brocas e Vilares, estando documentados mais de uma centena. Tinham e têm com objectivo principal abrigar os pastores das intempéries.
Salvo uma ou outra excepção, por razões morfológicas do terreno, as casinhas estão viradas a nascente. Diz-se que a técnica usada na construção é de influência celta e a orientação dos abrigos a nascente transmitir-nos-á uma imagem de misticismo, o alinhamento com a fonte de vida, a energia vital do planeta, o Sol. Todavia outras razões se poderão adiantar para tentar explicar a orientação a nascente, nomeadamente a tentativa de não expor as entradas dos abrigos às correntes e ventos vindos do norte com um sopro fino e gélido, além de quase todos eles estarem situados na encosta este da serra.
Cada casinha comporta desde uma a mais de duas dezenas de pessoas.
Apesar de não serem exclusivos da zona do Feital, já que podemos encontrar exemplares destas construções magníficas espalhados pelo norte de Portugal e Galiza, é aqui que um maior número se encontra concentrado. E até aos tempos hodiernos mais não chegaram porque, sabemos, que a consciência cultural que felizmente se começa a notar nos portugueses é recente e muitas das casas assim como muros meeiros implantados nas serras foram destruídos que para aproveitar o seu espaço mas acima de tudo para aproveitar a sua pedra.
Ao longe a Serra da Marofa
Animação com o grupo musical Chuchurrumel
Add comment 2007/10/05
Hoje o meu trilho leva-me a… Castelo Rodrigo!
Na rota das aldeias históricas sulcando a cordilheira da Serra da Estrela o meu trilho hoje leva-me a Castelo Rodrigo, uma aldeia feita de história, que fez a história e cuja “estória” vos vou contar:
Feita de traições, destruição e glória Castelo Rodrigo encerra um percurso acidentado, com gentes notáveis e paisagens a perder de vista.
Castelo Rodrigo visto da Serra da Marofa
A Serra da Marofa ergue-se imponente com o seu Cristo de braços abertos, ao longe avistam-se as terras de “nuestros hermanos” e o Douro imponente que rasga os montes e espalha o seu charme em direcção à foz.
Por aqui passaram desde os Romanos ao povo Vetão e até Mouros deixaram a sua marca.
À semelhança do que habitualmente se passava com as povoações da zona raiana, o crescimento de Castelo Rodrigo foi altamente influenciado quer por questões políticas, quer de repovoação e reconquista. Fruto desta história atribulada foi alvo de amores perdidos e de vinganças desmedidas. Como já referi, nem sempre os alcaides de Castelo Rodrigo primaram pela fidelidade à coroa portuguesa. Exemplo disso é Cristóvão Moura, que chegou a ser vice-rei de Portugal e claro, por indicação de Filipe II de Espanha, como prémio pelo apoio daquele à coroação deste. Cristóvão Moura, fazendo jus a sua posição política manda erguer um palácio à sua altura. Esta traição à pátria deixou o povo desgostoso e sedento de vingança… 50 anos depois “a vingança serviu-se bem fria”: no ano quente da restauração da independência (1640 d.C.) e a libertação do país da chancela dos “Filipes”, os populares incendiaram o palácio. O fogo consumiu-o totalmente.
Conta-se ainda que por ter tomado partido por Castela na crise de 1383-1385, D. João I castigou Castelo Rodrigo, mandando que o seu brasão ficasse com as armas reais invertidas, e a vila dependente de Pinhel. O alcaide, que terá prestado juramento à coroa espanhola, chegou mesmo a recusar entrada a D. João I, mestre de Avis, quando este por lá passou a caminho de chaves.
D. Dinis não escondia o seu amor pela zona raiana e também aqui, em Castelo Rodrigo, mandou reconstruir o castelo numa tentativa de repovoação.
A ajudar o desmoronamento do castelo, em 1810, as tropas britânicas iniciaram aqui a construção de um hospital militar, o que levou a danos consideráveis nas muralhas.
Perdida a sua função militar, diante do declínio económico que se instaurou, a vila de Castelo Rodrigo viu a sede do concelho passar para a vizinha Figueira de Castelo Rodrigo, por Carta Régia de D. Maria II, em 25 de Junho de 1836.No século XX, foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 4 de Julho de 1922. Apesar de ter sido restaurado na década de ‘40, apenas recentemente foi objecto de um programa global de intervenção, principalmente por causa da sua inclusão na rota das aldeias históricas.
Passeie-se pelas suas ruas medievais calcadas por anos de História, escale as muralhas que outrora nos defenderam dos perigos vindos do lado de lá da fronteira. Atente nos torreões, a sua imponente altivez lançando-se por terra “abaixo” desafiando até o mais valente dos exércitos.
Castelo Rodrigo tinha ficado para trás…
Sento-me, peço um café em Figueira de Castelo Rodrigo e leio o primeiro jornal transfronteiriço escrito em português e castelhano, “Raia Rural”.
Mais informação:
Inventário do Património Arquitectónico (DGEMN)
Instituto Português de Arqueologia
3 comments 2007/09/23
Hoje o meu trilho leva-me à… Serra da Marofa
Aqui a vista é fantástica… à direita a albufeira de Santa Maria de Aguiar, do outro lado a vila de Figueira de Castelo Rodrigo e no centro da cena a aldeia de Castelo Rodrigo com o Rio Douro ao fundo a servir de companhia.
A subida até aqui foi atribulada, subir por estradões, galgar pedras, descobrir caminhos esquecidos pelos anos…! Para os menos aventureiros, uma estrada asfaltada leva-nos até ao ponto mais alto da Serra da Marofa.
A cume da Serra da Marofa está completamente povoado de retransmissores – dezenas – por um ponto de vigia e umas capelas (como não poderia deixar de ser). Mas o ex libris é sem dúvida o protector deste vale de Riba – Côa, o Cristo – Rei que o protege braços abertos. O Cristo – Rei, monumento em pedra com cerca de 3 metros foi construído na década de 60, e é o apogeu de um percurso religioso que segue Marofa acima. Uma espécie de Via-Sacra sobe o monte, por caminhos estreitos e escuros, encimada por um Cristo petrificado de braços abertos.

Enquanto aqui repouso pergunto-me: “que levará o homem a vencer as altitudes, carregar a dificuldade às costas, apenas para erguer uma escultura de braços abertos ao céu?” Não se trata de qualquer instinto natural, de sobrevivência, de propagação da espécie, ou será? O homem crava a terra, desbrava montanhas, atinge os céus. Mas quando se dá conta da sua pequenez sente necessidade de se refugiar…
Que a natureza esteja convosco!
Add comment 2007/09/23
Ponte sobre o Rio Lima (monumento nacional)
Conhecida por ter servido de passagem ao camião do Modelo (passo a publicidade), a Ponte sobre o Rio Lima em Ponte de Lima é uma autêntica obra de arte que mistura o estilo medieval e romano, classificada como munumento nacional.
A ponte tem dois troços distintos, um romano e outro medieval. A ponte romana terá sido construída no séc. I, altura da construção da via iniciada por Augusto e que passa sobre a ponte.
D. Pedro I aquando das obras de fortificação terá mandado reconstruir a “ponte medieval” de características góticas, que terá, muito provavelmente, sido concluída em 1370. Todavia o calcetamento e a colocação dos merlões datam de 1504, reinado de D. Manuel.
Os seus múltiplos arcos, quer de características romanas ou medievais, dão à ponte um aspecto único. Assente em sete arcos de volta perfeita, parte do tabuleiro romano encontra-se soterrado onde hoje é a igreja de Santo António.
A ponte gótica é constituída por 17 arco, estando dois deles soterrados pela praça de Camões e um outro foi destruído aquando das invasões napoleónica, em 1809.
Add comment 2007/09/19
Mapas e trilhos do Parque Nacional da Peneda-Gerês
- Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês
- Mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês (Área Rural vs Área Urbana)
- Trilho Castro Laboreiro
- Montalegre
Download mapa turístico (pfd)
- Trilhos Pedestre “Na senda de Miguel Torga” – Terras do Bouro
- Trilhos Pedestres – Porta de Lamas do Mouro (Melgaço)
Bons trilhos! Que a Natureza esteja convosco!
12 comments 2007/09/17
O Gerês e as suas pontes
Ponte, bridge, puente, pont, brücke, Köprü, 橋, γέφυρα …
As pontes podem unir duas margens, duas margens vulgares. Mas podem unir pessoas, países, culturas, mundos… As pontes unem, os rios separam?
Aqui reuni algumas das mais bonitas pontes que vi pelo Gerês…

Ponte da Misarela
Ponte da Misarela
Ponte em Lamas do Mouro
Ponte na Assureira – Castro Laboreiro
Outra ponte na Assureira -Castro Laboreiro
Ponte Celta, Séc. II – Castro Laboreiro
1 comment 2007/09/17
À conquista do Parque Nacional da Peneda-Gerês – 5º Dia (último dia)
Rota: Lamas do Mouro – Castro Laboreiro – Melgaço – Caminha – Vilar de Mouros
Tomado o pequeno-almoço e o banho matinal o trilho segue para Castro Laboreiro, também apelidado carinhosamente por muitos de “planalto mágico”. Iremos descobrir porquê…
Castro Laboreiro é sobejamente conhecido pelos seus lobos, pelas suas montanhas, pelas “inverneiras” e pelas “brandas”, uma cultura singular de transumância perpetuada pelos tempos.
Para começar, um ida ao Centro de Informação de Castro Laboreiro. Ao contrário do que fomos encontrando quer nas delegações do PNPG, quer nos centros de informação, aqui a simpatia, a prestabilidade e o conhecimento concreto da realidade local foi uma surpresa positiva, uma mais-valia para o resto do dia. Depois de uma animada conversa, de uma passagem rápida pelos principais jornais on-line e consulta do correio electrónico, seguimos o trilho que nos leva até ao Museu de Castro Laboreiro.

Museu de Castro Laboreiro
A subida ao Castelo de Castro Laboreiro mostrou-nos uma paisagem singular, vales escarpados com fundos verdejantes adornados com as cascatas dos seus rios…


As “brandas” e as “inverneiras”
As “brandas” e das “inverneiras” marcam esta cultura única neste planalto mágico.
A população vivia essencialmente da agricultura e da pastorícia levando à criação de costumes que facilitassem esta tarefa e tendo em conta as baixas temperaturas que se faziam sentir no inverno. Como escreve Orlando Ribeiro “A população passa na branda a maior parte da Primavera, o Verão, o Outono; em Dezembro começa a baixar para a inverneira (para em baixo), onde toda a gente deve estar na noite de Natal. É verdadeira migração global, que se realiza a pé e em carro de bois, transportando-se para baixo gados, criação, utensílios, roupas e até o gato atado com um cordel a um fuelro. As casas da branda ficam fechadas e desertas enquanto duram as frialdades e tempestades de Inverno. Em Março ou Abril, isto é, pela Páscoa, sobem para a branda (para em riba), donde descem, para trabalhar a terra ou colher o renovo, por um dia, voltando a dormir à branda».
Na branda os terrenos eram mais férteis e as águas mais frescas no verão.
Percurso das “Brandas” e “Inverneiras”
Além das “brandas”e “inverneiras” o lobo é actor principal por estas bandas… o seu uivo é presença habitual nas noites de lua cheia e com companhia sabedora em trilhos ancestrais quem sabe não lhe saia um “busto” pela frente…
A relação não amistosa homem-lobo vem de longe, foi peça da maldição dos contos, do temor dos pastores… até espécie protegida.
Com a escassez das suas presas naturais, este viu-se a descer a montanha e a fazer investidas junto das populações atacando gado doméstico. A pouco e pouco criou-se uma relação de conflito entre estes dois actores.
Originalmente distribuído praticamente por toda a Península Ibérica, actualmente o lobo ibérico (Canis lupus signatus Cabrera, 1907) está limitado à região Nordeste. Em Portugal a espécie é considerada em perigo de extinção (Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, 1990), estando totalmente protegida por lei desde 1988. No nosso País, a população lupina tem vindo a decrescer rapidamente, principalmente desde a década de 60, quando ainda se podiam observar lobos no Alentejo. Presentemente, esta espécie existe apenas nas regiões mais montanhosas e menos povoadas do Norte e Centro do País, correspondendo a cerca de 20% da sua primitiva área de distribuição.
Em Castro Laboreiro tem sido feito um esforço de protecção, de mudanças de mentalidades de forma a uma convivência tranquila entre homem-lobo!
Cão de raça Castro Laboreiro – raça autoctone. Cão inteligente e meigo dedicado na protecção do rebanhos e companhia.
Infelizmente, o tempo voou… o sol estava já no seu zénite.
Era chegada a altura de deixar Castro Laboreiro. Mas aqui ficava a fiel promessa de um dia (brevemente) voltar, porque muita coisa ficou por ver, por sentir, por admirar… enfim o Gerês não se visita, vive-se e respira-se e de certeza quem por lá passa levá-lo-á no coração.
Faz-se caminho e o Gerês começa a ficar para trás… agora são as terras do alvarinho, um pouco mais e sente-se o cheiro a maresia… Caminha!
Sentir a areia nos pés, um mergulho na no mar. É o contraste… a beleza de Portugal. Em minutos viaja-se da serra ao mar, de paisagens bucólicas e vales escarpados à imensidão de um azul salgado e paisagens salpicadas de barcos e gaivotas.
As estrelas chegavam para nos fazer companhia, hoje, no Parque de Campismo de Vilar de Mouros.
Adeus Gerês, até sempre…
Add comment 2007/09/17
À conquista do Parque Nacional da Peneda-Gerês – 4º Dia
Rota: Entre-Ambos-Os-Rios – Lindoso – Soajo - Mezio – Peneda – Lamas do Mouro
Era já o 4º dia em pleno PNPG…
Começou cedo o dia. Os espigueiros de Lindoso de do Soajo esperam, como o fazem à séculos! Era também o dia das 3 serras: Amarela, Soajo e para terminar a Peneda.
OS ESPIGUEIROS
Também chamados de caniços ou canastro, os espigueiros são estruturas de pedra (também encontramos espigueiros totalmente em madeira ou mesmo mistos) que têm como função a secagem do milho. Através da elevação do solo com recurso a colunas de pedra, permite-se o afastamento do mesmo aos roedores. São usadas fissuras laterais para permitir a circulação do ar.
Apesar de estas estruturas se encontrarem um pouco por todo o país, é no Norte que eles são mais característicos, principalmente os da zona do Gerês, construídos inteiramente de pedra.
Os espigueiros aqui referidos, os do Soajo e do Lindoso, são imóveis classificados como de interesse público.
Em Lindoso podemos apreciar, junto do imponente castelo, um conjunto impressionante de espigueiros, o maior conjunto nacional, com quase uma centena de exemplares.

Um deleite para a vista… estes espigueiros! E não seriam os últimos, faltavam os do Soajo!
Depois de uma visita ao castelo do Lindoso e às suas exposições de armas o trilho segue para o Soajo.
SOAJO
Em pleno PNPG o Soajo é uma aldeia diferente. É um oásis da civilização moderna em plena serra. Aqui podemos encontrar os mais variados serviços: banco (multibanco), correios, restaurantes, etc.
Toda a aldeia foi sujeita a um plano de remodelação e conservação de forma a preservar a sua arquitectura única. Casas, calcadas em pedra, pelourinho… são a porta, a passagem para um tempo distante mas que ali se encontram os seus resquícios.
Vindo de Linhoso, encontrará à entrada da aldeia um conjunto magnífico de espigueiros em pedra, com a particularidade de quase todos eles assentarem também em uma base de pedra (um enorme maciço granítico).
A Serra do Soajo é sem dúvida magnífica. Já na fronteira do PNPG, a caminho de Arcos de Valdevez fica a Mata do Mezio, além dos vestígios pré-históricos é um sítio único com percurso homologado fechado. Aproveita para merendar no belo parque de merendas.
Aproveite para apreciar o Vale do Ramiscal com cerca de 10 quilómetros de extensão que se dispõe no sentido Este-Oeste. A maior parte da sua área está protegida legalmente pelo máximo estatuto de protecção ambiental, o de Parque Nacional. Infelizmente, em Agosto de 2006, grande parte da Mata foi consumida pelo fogo e era formada sobretudo por exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur) de grande porte e por azevinhos antiquíssimos. Neste local deambulava o Lobo-ibérico (Canis lupus signatus), a Águia-real (Aquila chrysaetos) cruzava assiduamente os céus e o Gato-bravo (Felis silvestris) refugiava-se no mais espesso do bosque.
Fraga dos Pastorinhos
Caminhos serpenteados, vales escarpados, bois de raça barrosão e muitas cabras à mistura levaram-nos até ao Santuário da Peneda, um local de culto em pleno vale glaciar, o “Bom Jesus” do Gerês. Não deixe de apreciar as suas cascatas, suba-as e delicie-se com lindas lagoas. Todavia mais impressionante que o próprio santuário, e o sítio onde se ergue é a protecção que o ladeia… uma enorme fraga!
Ponte em Lamas do Mouro
As encostas da Serra pintadas pelas cores de um artista divino.
Era final de tarde em Lamas do Mouro… depois do percurso que nos pelas entranhas da aldeia e arredores formos surpreendidos por uma visão magnífica… garranos!
Lama do Mouro é uma das Portas de Entrada no PNPG e sem dúvida a que melhor serve os interesses dos visitantes. Uma estrutura moderna, com muita informação sobre o parque e acima de tudo pessoas muito simpáticas. Nota: obrigado ao responsável pela informação por me ter deixado descarregar as fotos para a pen… ufa!
Depois de uma refeição a frio, como vinha sendo hábito, com muitos tomates (J), um banho restaurador e a descansar com as estrelas… Amanha é o último dia nestas serras magníficas!
Add comment 2007/09/13
Vilarinho da Furna, a aldeia afundada!
Aqui o progresso matou os pastos, os terrenos de cultivo, a paisagem, a cultura, uma herança de tempos imemoriais, enfim as pessoas morreram com a aldeia. E a troco que quê? De 5$00 o m2. Este foi o preço pago na altura pela empresa de energia nacional. Não importava se tinhas uma casa boa ou má, se os terrenos eram de cultivo ou apenas um amontoado de pedras… a dignidade de uma comunidade, a vida das pessoas foi paga a 5$00 o m2…
Vilarinho da Furna era uma pequena aldeia da freguesia de S. João do Campo, situada no extremo nordeste do concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.A sua origem perde-se, foi destruída há vinte e seis anos (21 de Maio de 1972) por uma barragem.
A barragem não só emergiu campos e casas, mas, sobretudo, uma comunidade com uma riqueza cultural valorosa e rara. Como forma de salvaguardar todo o património em causa foi construído pela Câmara Municipal de Terras de Bouro em 1981 o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna.
Vilarinho tinha as suas leis, os seus hábitos, as suas pessoas, as suas terras o seu gado, a sua organização, o seu modo de vida… Um conjunto único que a transformava numa comunidade ímpar. Mas foi alagada.
E é possível que alguns dos traços da maneira de viver do povo de Vilarinho se filiassem na cultura dos povos pastores e ganadeiros indo-europeus, provavelmente lá introduzidos por migrações pré-romanas e reforçados pelas invasões suevas.
Depois de uma visita ao museu etnográfico, restava apenas saudar essa bela aldeia adormecida à força que jaz agora entre águas profundas.
Pouco resta da antiga aldeia, quando a água da albufeira desce ainda é possível ver os muros, os restos de casas de outrora.
Para chegar às ruínas da antiga aldeia, siga por um caminho que ladeia a albufeira pelo lado esquerdo. O percurso de ida e volta demora cerca de 1 hora.
A noite já se anunciava, o sol escondia-se por entre cumes esguios que rasgavam o céu e o Parque de campismo de Etre-Ambos-Os-Rios estava à espera.
Miguel Torga com a arte e engenho só reconhecidos aos poetas, imortalizou nos seus versos uma morte, ou será uma aldeia morta? Em dias de “água baixa” emerge para nos saudar…
Requiem
Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.
Miguel Torga – Barragem de Vilarinho da Furna, 18 de Julho de 1976
Add comment 2007/09/10
À conquista do Parque Nacional da Peneda-Gerês! (3º Dia)
Rota: Cabril – Fafião – S. Bento da Porta Aberta – Ermida – Portela do Homem – Campo do Gerês – Vilarinho das Furnas – Entre-Ambos-os-Rios
Tem sido engraçado, e verificamos durante o resto dos dias, que os campistas são todos os dias de manhã brindados com pão fresco. Aquele toque inconfundível que anuncia o pão, começou a tornar-se hábito pelos parques que eram percorridos.
Hoje o dia é longo, talvez o mais longo de todos… temos que retemperar forças!
Hoje também seria o dia em que deixaríamos a Serra do Gerês para trás para entrarmos na Serra Amarela.
Depois de uma tentativa frustrada no dia anterior de encontrar o Fojo do Lobo de Paradela, hoje o trilho, levar-nos-ia a Fafião, para uma nova incursão. Em Fafião um percurso homologado fechado levou-nos a volta à aldeia. O Fojo do Lobo fica ligeiramente fora do percurso, mas o orgulho com que as gentes que outrora o perseguiram agora o indicam foi sem dúvida especial.
O Fojo do Lobo, não é mais que uma arcaica construção de pedra para dar caça ao Lobo (Canis lúpus). Consistia em dois muros de pedra com cerca de 2 m de altura que se afunilavam e por onde era conduzido o lobo, no final, um poço condenava o lobo… Estas construções são o reflexo da relação ancestral do homem com o Lobo e que infelizmente ainda chegou aos nossos dias com frequentes cenas de tentativas de envenenamento.
O lobo quase extinto em todo o país continua com alguma representatividade no PNPG.
Depois de uma rápida passagem pelo São Bento da Porta Aberta, local de romaria que faz as estradas pequenas e a agitação transformar o Gerês num qualquer outro lugar de culto (sem mencionar o turismo religioso e o aglomerado casas de pasto que se amontoam estrada acima), chegara a hora da do Rio Arado.
Mas o trilho não nos iria levar ao local comum de observação das cascatas do Arado, iríamos tentar encontrar aquelas que muitos chamam as “cascatas e lagoas do Tahiti”. O local não vêm nos roteiros, concelhos de amigos levam-me a tentar encontrar o sítio que dizem mágico. Depois de passarmos Vilar de Veiga, virámos à direita por estradas estreitas mas paisagem bucólicas… Seguimos para Cabril até encontrarmos a ponte sobre o Rio Arado. Daqui já podemos observar algumas lagoas, mas aventuremo-nos mais abaixo, por um pequeno trilho do lado direito do rio até termos esta visão exótica….
Aproveite para explorar as imensas lagoas, banhe-se nas águas translúcidas que por aqui correm e aventure-se até um pouco mais abaixo até à foz, não se arrependerá!
Uma passagem rápida pelas Caldas do Gerês, com a sua habitual confusão veraneia e eis-nos a percorrer, ou melhor, a subir lentamente o vale glaciar até Ponte de Leonte, a porta de entrada na Mata de Albergaria, um autêntico santuário para a vida selvagem, para a flora e para a fauna. Paisagens bucólicas acompanhar-nos-ão ao longo do percurso. Apesar da estrada continuar até Portela do Homem (fronteira com Espanha), teremos que pagar uma taxa para circular de carro.
O ideal será percorrer a pé, os 6 Km entre Portela de Leonte e Portela do Homem e apreciar o que a natureza tem de melhor, já que se fizer a viajem de carro, fique a saber que não é permitido paragens!
Se a opção for caminhando e se não se sentir com forças para fazer o caminho de regresso, saiba que existem autocarros do PNPG que fazem o percurso inverso.
Umas pequenas incursões por mato mais denso e será surpreendido azevinho em estado selvagem que abunda na matas do Gerês, matas de carvalhos, colmeias… enfim, a natureza em estado puro.
Visite as lagoas do Rio Homem e aventure-se pela Geira Romana até Campo do Gerês.
Se optou pelo carro e não quiser voltar até Portela de Leonte e novamente até Caldas do Gerês, existe um trilho florestal (“terra batida”) que liga Portela do Homem ao Campo do Gerês, são cerca de 8 Km, contornando a albufeira de Vilarinho das Furnas, em autêntica gincana, imitando o “foge do buraco”…
Próxima paragem, Vilarinho da Furna…
2 comments 2007/09/10
À conquista do Parque Nacional da Peneda-Gerês! (2º Dia)
Rota: Boticas – Montalegre – Pitões das Junias – Parada – Sidrões – Cabril (ver mapa no final)
Este é o primeiro dia em pleno parque… A ansiedade é enorme e o frio também. Apesar de estarmos em pleno verão, a chegada a Montalegre trouxe-nos uma visão invernal! Pessoas vestidas com agasalhos e roupas quentes, aquele nevoeiro dos tempos frios pressionava-nos contra o chão!
A contrabalançar com este clima típico dos meses mais frios, encontramos uma vila típica do interior, onde o calor transborda. Aqui o granito é rei e senhor… mas um granito sorridente em ruas arejadas e convidativas guardadas por um castelo medieval.
Castelo de Montalegre
Montalegre é também uma das Portas de Entrada no Parque Natural do Gerês. Actualmente, apenas se encontram em funcionamento as portas de Lamas do Mouro e Campo do Gerês. Todavia, vale a pena a uma visita ao Posto de Turismo, mesmo ao lado da delegação do PNPG, e a fim de nos munirmos de um mapa (ou faz o download A e B), simples mas completo no concelho de Montalegre.
Deixámos Montalegre para trás e por entre montes e vales, sempre num rodopio para não perder paisagens cade vez mais impressionantes, o trilho levou-nos ate Pitões das Júnias.
Aldeia de Pitões das Júnias
Pitões das Júnias é uma aldeia situada dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, na região de Barroso, Trás-os-Montes. Faz parte do Concelho de Montalegre, Distrito de Vila Real. A sua origem confunde-se com a do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, entre os séculos IX e XI.
Para além de Pitões das Júnias
O clima inóspito no Inverno e a consequente imigração contribuíram para que a aldeia mantivesse sua pequena população e o aspecto medieval. As casas de pedra são um dos grandes ícones desta pequena aldeia, que no Verão vê a sua população aumentar quer graças ao regresso dos seus emigrante, quer à quantidade de turistas que cada vez mais visita as Terras do Barroso.
Mas em dúvida que o seu maior ícone é o Mosteiro de Santa Maria das Júnias.
Vista sobre o Mosteiro
Para se chegar a este mosteiro nas margens do rio campesino, existe um percurso homologado (aberto). São cerca de 3 km, descendo até ao miradouro, percorrendo a margem direita do rio campesino até ao Mosteiro de Santa Maria das Júnias. O percurso é de baixa dificuldade.
O percurso começa no cemitério de Pitões das Júnias, deve deixar aqui o carro, todavia se insistir em continuar com ele poderá deixa-lo cerca de 1km mais abaixo (largue o carro o mais rápido possível…). Encontraremos um largo, pela direita temos acesso ao miradouro de Pitões, que nos oferece uma panorâmica fantástica sobre a zona do barroso e vista sobre uma gigantesca cascata, se continuar em frente terá acesso directo ao Mosteiro e posteriormente ao miradouro.
São indescritíveis as emoções que nos assaltam dentro do mosteiro. Resquícios de claustros perfeitos, paredes que escondem estórias de então, quem sabe de encantar. Perca-se entre as ruínas, aprecie as margens de um rio que corre devagar, indiferente ao tempo, banhe-se nas suas águas.Mesmo junto ao Mosteiro poderá ainda retemperar forças, e apreciar a merenda que preparou de antemão.
Não poderá deixar de visitar um belo exemplar de um moinho movido a água, bastando para tal passar a margem por uma ponte que conta já muitas primaveras.
Mosteiro de Santa Maria das Júnias (mais informação)
Em Pitões das Junias poderá visitar ainda o Ecomuseu do Barroso, na antida Corte do Boi, aberto recentemente, que nos leva a uma viagem a tempos imemoriais.
Aldeia com a albufeira da paradela
Depois de Pitões das Junias o trilho levou-nos a um dos sítios mais enigmáticos do Gerês, com quebrantos, diabos e lendas à mistura. A Ponte da Misarela, eternizada na voz de Sebastião Antunes (Quadrilha). Aqui o diabo anda mesmo à solta, o rio Rabagão corre livre, sulcando rochas e falésias, deixando atrás de si um rasto de lagoas e belas cascatas.
O Norte do país é extremamente rico em lendas e estórias de encantar, diabos à solta, feiticeiras e almas penadas.
Como era costume nos tempos idos, qualquer obra que fugisse as normais capacidades humanas era obra do diabo. A velha ponte da misarela não escapou a esse destino. Quando um mortal entrega a alma ao diabo, este é capaz de coisas imagináveis.
Mas o verdadeiro significado desta atribuição diabólica só se compreende quando se observam escarpas que ladeiam a ponte e sobre as quais a mesma se encontra edificada.
Conta a lenda (ver lenda completa) que as populações vizinhas começaram atribuir carácter sagrado à Ponte da Misarela, passou a ser hábito que, quando uma mulher não levava os filhos a cabo – ou seja, quando algo ia mal na gravidez -, se dirigisse à Ponte e debaixo dela pernoitasse, na expectativa de ajuda celeste para o seu problema. Na sequência da operação, estava estabelecido que a primeira pessoa que atravessasse a Ponte no dia seguinte teria que ser padrinho ou madrinha da criança, à qual seria posto o nome de Gervásio, se rapaz viesse ao mundo, ou de Senhorinha, se de rapariga se tratasse. E isto para que, por obra e graça do pré-baptismo, a mulher tivesse um bom sucesso na sua gravidez.
Conta-se ainda que debaixo da ponte eram comuns práticas ancestrais ligadas à fertilidade.
“Ponte da Misarela” Quadrilha – ouvir música
Ainda extasiados e ao som da Ponte da Misarela, e porque o sol já se punha entre as colinas que se erguiam até aos céus, o trilho levou-nos até ao Parque de Campismo do Cabril para mais uma noite onde as estrelas iam servir de tecto e companhia…
Add comment 2007/09/04





























































































