Posts filed under 'Malaca'

Orgulhosamente Português

IMG_2402

"Welcome to the Portuguese Settlement - Malaca"

Sento-me à mesa do restaurante “De Lisbon” e vejo que anunciam em bom inglês “traditional malaysian portuguese food”. Não procuro comida, procuro a língua, esse modo diferente de falar português, quase perdido nos tempos e nas gerações… quero contrariar as evidências e encontrar a língua dos descendentes daqueles que há 500 anos repousaram no Estreito de Malaca.

Peço uma cerveja. O Sr. Pedro da Silva cumprimenta-me, traz-me a cerveja e alguns dedos de conversa. Fala Português, ou o que resta dele! Alguns amigos, que já tinham andado por estes lados, avisaram-me que Malaca era uma desilusão, que não havia ninguém a falar português. Ou eles foram a uma Malaca distinta da minha ou eu tive muita sorte. Fico-me pela primeira opção, já que, segundo o Sr. Pedro, a comunidade de falantes de português em Malaca ainda é considerável.

Conferencia-me que o seu grande desejo era poder conhecer Portugal. Queria sentir o cheiro do manjerico e dos santos populares, das vindimas e das romarias, e sentir a maresia numa lufada de ar fresco.

À volta da mesa relembra os tempos agitados que antecedem a vinda do navio Navio Escola Sagres à Malásia. Com ele chegam as sardinhas, o bacalhau, o “fumo” (tabaco), mas acima de tudo a língua, essa que o Sr. Pedro nunca esqueceu…

Queria uma escola para os netos aprenderem a língua de Camões (tão maltratada por quem tem o dever de zelar por ela), queria missa ao domingo em português, queria que se lembrassem que aqui, a 12 mil km de Portugal, entre as cores garridas do oriente, ainda há gente que do Estreito de Malaca grita pró mundo: EU SOU PORTUGUÉS!

IMG_2414

De marinheiros a pescadores: entardecer numa praia de Malaca

Add comment 2009/06/30

“Flor de La Mar” – Malaca

o Galeão Português - "Flor de la Mar"

o Galeão Português - "Flor de la Mar"

Tão rápido uma história vira mito, como o mito lenda.

Não é uma lenda que hoje vos vou contar. Esse galeão que cruzou o Bojador, que não se amedrontou com Nepturno e o seu tridente, que não sucumbir às torrentes da Boa Esperança, que descansou nos mares calmos do Índico, descansa eternamente no fundo dos mares do estreito de Malaca.

A ganância desmesurada levou Afonso de Albuquerque a “atulhar”, o mais nobre galeão da sua armada, com os mais ricos tesouros pilhados aos Sultões da Malásia. Os fortes/ ricos, desde tempos imemoriais, sempre fizeram valer a sua força para pilhar aqueles que menos tinham!

Malaca era então o maior centro comercial do oriente e Afonso de Albuquerque queria presentear a corte do Rei D. Manuel I com os mais finíssimos tesouros. Flor de la Mar saiu de Malaca em direcção a Goa, mas não consegui atravessar o estreito… sucumbiu às correntes, desprendeu-se da vida e jaz morto nos fundos dos mares, ainda hoje, acredita-se, adornado com as mais belas pedras preciosas…

Hoje, em Malaca, esta réplica aloja o Museu Marítimo da cidade.

Add comment 2009/06/22

Malaca – “Welcome Home!”

IMG_2363

Olho para ele de soslaio evitando a sua mirada, esquivo-me das várias tentativas que faz para me vender uma “pulseira da sorte”.

De repente, ambos os olhares se cruzam. Tinha uns olhos negros, dentes luzidios, lábios carnudos e uma tez mais do que gasta, queimada pelo sol. Pergunta-me, num inglês quase imperceptível, de onde eu era. Respondo-lhe que era português. Esboçou um sorriso, ergueu o olhar e disse: Welcome Home, my friend!

IMG_2354

Aquelas palavras ecoavam no meu pensamento enquanto percorria o que restava da “Famosa”. Observo as dezenas de chineses que de plantão tiram fotos diante da Porta de Santiago. Detenho-me lendo a sinalética, que em inglês, explica que a Porta de Santiago, foi uma das quatro portas de entrada para a fortaleza portuguesa “a Famosa”.

A armada portuguesa, liderada por Afonso de Albuquerque, conquista Malaca em 1511 e de imediato constrói o forte de que, hoje, apenas resta a Porta de Santiago.

Reza a história que os portugueses usaram as pedras sagradas dos mausoléus e mesquitas muçulmanas, em conjunto com o trabalho escravo, para construir um forte, cujas paredes laterais atingiam os três metros de altura.

Albuquerque acreditava que Malaca seria a o porto de ligação entre o comércio de especiarias chinesas e a Europa, por isso, apressou-se a estabelecer defesas em torno de Malaca.

Christ Church

Christ Church

O forte resistiu durante mais de um Século, até ter sucumbido, em 1641, ao poderio da Companhia Holandesa das Índias Orientais.

Conta-se que no Séc. XIX, Sir Raffles, o fundador de Singapura, por amor à História, impede a destruição total da “Famosa”, deixando como marco, a “Porta de Santiago”.

Porta de Santiago, o que resta da "Famosa"

Porta de Santiago, o que resta da "Famosa"

No alto da penha ergue-se a Igreja de S. Paulo. Deparo-me com um grupo de músicos de rua que alegram os turistas naquela que outrora acolheu, ainda que temporariamente, os restos mortais do Missionário do Oriente: São Francisco Xavier.

Passo algum tempo a ler às várias inscrições gravadas singelamente nas várias pedras que ladeiam a Igreja. Lembram homens honrados, prestam homenagem a senhores, lembram vitórias e tempos de glória! Apresso o passo, cai a tarde e ainda quero beber uma cerveja fresca, olhando o mar rodeado daqueles que orgulhosamente dizem: sou português!!!!

     Interior da Igreja de São Paulo em Malaca

Interior da Igreja de São Paulo em Malaca

1 comment 2009/06/01


Contactos

Deixe os seus comentários. Esclarecimentos e sugestões: osmeustrilhos@gmail.com

Categorias

Blogroll

Blogs INOV

por esses CAMINHOS

Visitas

Estatísticas

Flickr Photos

YangShuo

Menir dos Almendres

macau by night

More Photos

Feeds

Tags

A Famosa Angkor Bangkok bruxelas Cambodja Camilo Pessanha Casinos Cemitério de S. Miguel Arcanjo China Clepsidra Damnoen Saduak Ecuménico estufas Filigrana Floating Market flores Galeria Fotográfica Guilin História de Macau Hong Kong Indonésia Jacarta Jakarta Kun Iam laeken Linha do Equador Luxemburgo Macau Malaca Malacca Maria da Fonte Mercado Flutuante Nape noite plantas Porta de Santiago POrtas do Cerco Póvoa de Lanhoso serres royal Shanghai Tailândia Torre de Macau Viagem Xangai Yangshuo
www.greenpeace.pt

de olhos em bico

Vamos Limpar Portugal

Join me at www.350.org