Posts filed under 'Cambodja'

Tonlé Sap (The world’s biggest fish bowl) – Cambodia

Cambodia-27

Tonle Sap Channel (near the Mekong River)

O autocarro percorre lentamente, por estradas acidentadas, as margens do lago Tonlé Sap. Esperam-nos 6 horas de solavancos até à capital do Cambodja – Phnom Phen! A cidade dourada desvanece-se. A paisagem é verde, arrozais, coqueiros e cabanas. Dezenas de aldeias de pescadores que vivem do que o lago lhes dá – Peixe.

on the way to Phonm Phen

on the way to Phonm Phen

Tonlé Sap é uma autêntica maravilha da natureza. O maior lago de água doce da Ásia é património natural protegido pela UNESCO, desde 1997. Duas razões tornam este lago tão especial: primeiro, a direcção das correntes muda naturalmente duas vezes por ano; e segundo, o lado expande-se exponencialmente durante a época das chuvas. Encontra-se ligado ao Mekong em Pnhom Phen por um canal natural de cerca de 100km. Na época das chuvas quando as águas do Mekong sobem, estas sobem também o canal e enchem o lago, que se expande dos normais 2 metros de profundidade até aos 10 metros. Na época seca, quando o caudal do Mekong é baixo, a corrente inverte a direcção e o lago drena as suas águas, de volta ao Mekong.

Este processo leva ao lago, durante a época das chuvas, a vida, os sedimentos e os nutrientes necessários para fazer do Tonlé Sap a maior reserva de peixe de água doce do mundo, dando trabalho a cerca de 3 milhões de pessoas e fornecendo ao Cambodja 60% da proteína consumida anualmente no país.

Royal Palace - Phonm Phen

Royal Palace - Phonm Phen

Chego a Phnom Phen ainda cedo. Procuro um sítio para ficar umas noites. Segundo os locais, há dois sítios com hotéis e “guesthouses” na cidade: à beira-rio (por sinal, a zona mais cara) e à beira-lago (“backpackers area”). Decido-me pelo lago… e não me viria a arrepender!

Numa espécie de alpendre que entra lago adentro, fixo as estacas espetadas bem fundo no lodo, sustentando as numerosas casas de madeira que ladeiam o lago Boeung Kak. Ao longe, crianças banham-se nestas águas acastanhadas, uma mistura de lodo e vida. Pescadores erguem alto as redes finas que depois, com toda a elegância, descem água abaixo na busca incessante de peixe.

As poucas horas dormidas nos últimos dias, o cansaço da viagem em solavancos intermináveis e a rigidez do corpo pedem algo…

Delicio-me com o mel doce de alguns mangosteen tentando adivinhar o número de gomos.

Sinto a água a correr por baixo da cama, a uns 50 cm. Olho o tecto de relance e no escuro posso distinguir as frestas das placas de zinco que vão rangendo ao sabor da brisa que se levantou. O chão é de madeira, uma madeira pobre e velha já com alguns buracos por onde entra o cheiro do Mekong. Estou a flutuar sobre o lago, uma maravilhosa sensação.

Guest-house over the lake - wonderful night

Guest-house over the lake - wonderful night

4 comments 2009/07/20

Amanhece em Angkor Wat

Nascer-do-sol em Angkor Wat - Impressionante!

Nascer-do-sol em Angkor Wat - Impressionante!

São 4:30 da manhã. Ainda é escuro! Abro lentamente as cortinas do quarto e verifico as condições atmosféricas. Está um amanhecer límpido e cristalino, aqui e além salpicado com umas quantas nuvens. Perfeito para assistir ao nascer-do-sol sobre Angkor Wat!

À entrada do local onde estou alojado, eu, o Pedro, meu companheiro de viagem pelo Cambodja e Shah, um viajante inglês, negociamos o preço do tuk-tuk, alertando o motorista para o facto de o sol estar quase a nascer, queremos o seu veículo a toda a velocidade. Não se faz de rogado e em 15 minutos percorremos os quilómetros que nos separam de Angkor Wat.

Dezenas de pessoas tiveram a mesma ideia. Ouvem-se estalidos, alguns flashs e o sol irrompe sobre o templo. Angkor Wat faz jus ao nome, transforma-se numa cidade dourada… Os três pináculos do templo parece que tocam o infinito, as palmeiras que rodeiam o cenário e as nuvens que o adornam fazem-me levitar! Tomo parte neste bailado de tons, deixo-me levar… fico ali sentado. Apenas “sinto”, já não olho!

Sentados, em silêncio, no tuk-tuk, regressamos a Siem Reap. É hora do pequeno-almoço.

Até os monges as usam... A mota é uma instituição!

Até os monges as usam... A mota é uma instituição!

Cinco pulseiras, 1 dólar!

Cinco pulseiras, 1 dólar!

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Add comment 2009/07/18

O império esquecido dos Khmer – Angkor (Cambodja)

17 de Julho

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Visto de cima, o Cambodja tem tons prateados. O país está completamente alagado, estamos no auge da época das Chuvas. Com as chuvas vem também o calor, o arroz e a abundância. O Cambodja transforma-se num celeiro!

A noite passada no aeroporto de KL fez das suas, deixou-nos sinais profundos no rosto, as costas curvas e o corpo dormente. Mas o espírito, esse, continua desperto, sedento de aventura, desejoso por desbravar caminho por esse quase esquecido império Khmer.

Os braços do Mekong estão por todo lado, mas aqui reina o lago Tonlé Sap “the worl’s biggest fish bowl”.

No aeroporto de Siem Reap, a cidade que serve de campo-base à exploração de Angkor, trata-se dos vistos, tem-se a primeira impressão do Cambodja e troca-se dinheiro! Se tiveres dólares estás safo, o riel cambojano ocupa um plano secundário!

Como em quase toda a Ásia, motorista de tuk-tuk que se preze ganha à comissão, isto é, leva os passageiros a determinado hotel e cobra… No entanto, como viríamos a verificar, este estratagema, que mais não é do que pôr em prática os mais básicos instintos de sobrevivência, estende-se por toda a parte, os seus tentáculos são gigantescos. Taréfas básicas como ir ao restaurante, comprar um bilhete de autocarro ou até fazer um visto, estão sob a alçada destas artimanhas, num país em que conseguir fazer dois ou três dólares significa assegurar o salário diário!

Os próximos dias estão reservados à exploração dessa mega cidade que foi Angkor. Do tamanho da cidade de Londres, estende-se por entre as entranhas da selva cambojana, convivendo com locais, macacos, elefantes e outras espécies raras. Construída pelo império Khmer há cerca de 1000 anos e apelidada como a primeira grande metrópole, Angkor foi abandonada subitamente no séc. XV, perdida na selva, continua a suscitar mistérios, especulações e a acalentar os espíritos irrequietos dos arqueólogos.

o "Bayon", o templo do Rei! No centro de Angkor Thom, tem cravadas 216 faces e 54 torres.

o "Bayon", o templo do Rei! No centro de Angkor Thom, tem cravadas 216 faces e 54 torres.

Angkor, em Khmer, significa “cidade”. Mas será justo reduzir a imponência destes templos, erguidos pela força humana, forjados a suor e lágrimas, a uma mera e vulgar palavra “cidade”. Não! Angkor é mais do que isso, é o símbolo de um povo, a identidade de uma nação, o orgulho de um dos países mais pobres do mundo, a beleza de algo grande que até na bandeira, azul e vermelha do Cambodja, figura!

Benedetto Croce, esse grande filósofo italiano, disse um dia que “não há poesia sem um complexo de imagens, e um sentimento que o anima”… Angkor é assim! Não é “palavra”! É um sentimento!

Um dos templos mais impressionantes, Ta Prohm! Escondido no interior da selva, foi inspiração para Tomb Raider!

Um dos templos mais impressionantes, Ta Prohm! Escondido no interior da selva, foi inspiração para Tomb Raider!

Raises Gigantes no templo de Ta Prohm

Raises Gigantes no templo de Ta Prohm

Palavras para quê?

Palavras para quê?

Caminho para o "Baphuon"

Caminho para o "Baphuon"

Regresso a Siem Riep e reparo como foi longo o dia! Desconcertante, de tal forma que não sei qual dos sentimentos me domina por dentro. Se a pobreza e o abandono a que grande parte das crianças estão deitadas, se a magnificência de templos que pareciam erguer-se da terra, não por força humana, mas por qualquer acto divino.

Releio lentamente a carta que Sary, uma das meninas que vende postais e outras coisas tais à entrada de Angkor Wat, me escreveu… penso no seu sorrido, imagino o seu futuro.

Obrigado Sary...

Obrigado Sary...

Adormeço, mais pelo cansaço que pela tranquilidade de espírito!

Add comment 2009/07/17


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