Dunas de Erg Chebbi @ Merzouga @ Marrocos

Hoje, o meu quarto é simples: gigantes paredes de areia cor-de-rosa, uma abóbada celeste estrelada e rasgada a meio pela mítica estrada de Santiago. Durmo sobre a areia quente das dunas de Erg Chebbi.

A caravana... em Erg Chebbi!

Estamos no meio de Erg Chebbi, dunas gigantes, no deserto, formadas pelo contínuo soprar do vento. Que tons maravilhosos, estes que nos dão as boas vindas ao Sahara, poderia ser melhor a recepção deste mostro gigante que se estende por todo o norte de Africa?

Zaid, uma espécie de GPS do deserto

Zaid também está connosco. Ele, Hassan e, claro está, os tambores. Ao longe, dos vários acampamentos que se instalaram no lado oeste da duna gigante, já se ouve o rugido dos tambores que ecoam no silêncio sepulcral do deserto.

Chegámos ao acampamento já era noite cerrada. Além de uma tempestade de areia que nos fez usar, pela primeira vez, os turbantes do deserto, o dromedário branco, fez das suas e teimava em dar meia volta. Compreensível…

Depois da tempestade, vem a bonança

As tonalidades da areia, consoante entrávamos nas entranhas das dunas iam mudando, como iam mudando à medida que o sol descia e lambia a areia.

A viagem até ao acampamento, pode explicar-se com duas frases simples: paisagens deslumbrantes; uma dura bossa de dromedário, que aliada aos solavancos do bicho, deixou marcas e fez-me andar de uma forma estranha…

Perguntamos a Zaid que tipo de animais abunda pelo deserto à noite. Além dos escaravelhos do deserto? Nada de especial. Como viríamos a comprovar no dia seguinte, o “nada de especial” é muito relativo, principalmente se falamos de escorpiões. Escusado será dizer que a noite foi passada ao relento com esses bichinhos a rondarem por ali.

Foi uma noite descansada… e acordar às 5:30 da manhã para ver o sol nascer lá para os lados da Argélia.

O sol nasce... a fundo, a Argélia

As dunas, a esta hora da manhã, tomaram uma cor rosa, diria, rosa-viva. O silêncio é sepulcral. Ao longe, apercebo-me de alguns movimentos, o deserto também começa a acordar. Subimos ao topo da duna, deixamos ficar ali, inertes, bebendo o sol que nasce, envolvidos pelo silêncio e pela magia do deserto.

São necessárias palavras?...

Os dromedários já estão alinhados, prontos para partir. Passaram a noite aqui, alapados na areia. Apenas o primeiro da fila é amarrado, ou melhor, a trela que lhe vem do nariz é amarrada ao pé. O primeiro é que comanda a caravana. Se este não se mexer, os outros farão o mesmo.

 

A viagem de regresso foi mais rápida, ainda que tenhamos regressado pela mesma rota. Ao chegarmos à pitoresca Merzouga, o sol já queimava e a aldeia já pulava do frenesim normal dos dias. Tomamos o pequeno almoço e deixamos o deserto…

Viagem de regresso

Seguimos viagem, em direcção a Norte. Atravessamos o Atlas Médio, quase em silêncio. Ninguém se atrevia a dizer, mas no fundo, cada um de nós sabia que o deserto estaria, no topo do mundo, do nosso mundo marroquino. Havemos de voltar a…

Posted on 2011/09/23, in África, Marrocos and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

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